terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Comentários: Death Parade #03 – Rolling Ballade

[O poema do boliche] um episódio de alivio, mais doce que o usual. 
Comentário Anterior; Death Parade #02 – Reverse
Comentário Posterior: Death Parade #04 – Death Arcade

A fórmula de roteiro de Death Parade, em omitir determinada informação fundamental sobre a vida de certo personagem que está sendo julgado para no fim trazer a revelação à tona numa catarse climática é bastante funcional, intensifica o suspense e faz aumentar o interesse no misterioso conflito que cairá sobre a dupla – e o fato de ambos, providencialmente, estarem com as memorias embaçadas cria diversas possibilidades a serem exploradas pelo roteiro entre a parte inicial e a final, de modo a criar um envolvimento genuíno de interesse do espectador com o que está lhe sendo transmitido no monitor. Tematicamente, este episódio apresenta o caso mais fraco/leve, ou de menor impacto, em relação aos dois anteriores (episódio de estreia e o do OVA). Sua estimulação é mais branda no decorrer do tempo, pois não se percebe um senso de urgência e perigo, de rivalidade e de crescente conflito/tensão. Isso se dá pela própria natureza do drama que envolve os personagens; ao contrário de Machiko e Takashi, eles não vinham de um relacionamento degastante com cada um carregando um pecado sobre os ombros. Neste caso, o que se torna mais convidativo é o crescente interesse que o rapaz passa a ter pela moça, como tudo isso irá acabar? Por que ela não se lembra nem do próprio nome? Como todas essas questões irão se relacionar. Pode se dizer que mesmo em um caso mais leve, a formula do roteiro ainda é eficiente em promover indagações, mesmo que de um modo diferente. 

Claro, o jogo escolhido não causar nenhum dano físico e transtorno psicológico no casal possui um GRAAAANDE peso no resultado desta equação, já que até aqui, os personagens de outros jogos despertaram o seu instinto primitivo numa luta pela sobrevivência justamente por ele incutir punições nos membros e órgãos dos personagens. As bolas de boliches trazerem simbolicamente o coração de cada um deles em seu interior, onde um poderia sentir a intensidade da batida do outro, novamente traz um belo significado metafórico. Se no primeiro caso os dardos acertam os olhos e o coração como um reflexo daquilo que trazia insegurança para Machiko e Takashi, aqui as batidas do coração de Mai Takada (Yuna Taniguchi) e Shigeru Miura (Lynn/Junji Majima) tem o papel de coloca-los em contato com o interior emocional do outro. Sendo um órgão “cego”, que apenas pode sentir, ele se torna imune às armadilhas pelas impressões que o campo de visão pode causar em relação a como o outro se expressa visualmente. Portanto, por mais que Shigeru se esforce para estampar um sorriso despreocupado na face, ela pode sentir pela intensidade das batidas do seu coração que ele está nervoso/ansioso. 
Além do mais, o coração é o símbolo da paixão e a este evidencia o quanto eles se tocaram mutualmente. Há até uma certa ironia que a relação entre eles seja simbolizada por um coração, um órgão cego, enquanto o conflito de Mai se dá justamente pelo aspecto visual. Dá pra tirar algo daqui? Particularmente eu gosto de pensar pela ótica de que, num primeiro momento de simples observação/contato visual, é a identidade visual e a forma como a pessoa se comporta que nos atrai para ela, mas é a comunicação entre ambos que irá autentificar ou não este interesse. Se não fosse pelo seu novo visual, Mai nunca teria atraído a atenção de Shigeru. Mas será que ele ficaria tão genuinamente encantado se ela própria não fosse cativante? Afinal, não é dona de uma beleza inalcançável, capaz de formar uma orla de adoradores, mas é certo que foi o fato dela ser bonita que não levantou um muro intransponível entre os dois. 

Julgar a Mai [ou mesmo o Shigeru] seria de enorme hipocrisia. Infelizmente, o padrão de julgamento humano é o visual e não importa a época e suas características próprias para definir o que é ou não belo, isso ainda irá se manter, porque faz parte da nossa natureza. Obviamente podemos [e devemos] nos conscientizar e mudar a nós mesmos a fim de não marginalizar quem não se enquadra nos padrões, mas ainda estaremos atraídos para aquilo que realmente nos pareça mais belo, como mariposas para a luz [a despeito do que cada um entende como sendo belo ou não]. As pessoas devem se manter da forma que bem entenderem, não importando qualquer opinião alheia, e isto inclui o de querer mudar a si mesmo, caso a sua aparência deixe de lhe agradar. Como somos influenciados por tudo aquilo que nos rodeia, as vezes este desejo de mudança vem mais por pressão do que movido por um sentimento genuíno, e na maior parte das vezes por uma busca de adequação [embora possa parecer natural, buscar pelo padrão é uma ideal incutido]. Em qualquer dos casos, a pessoa não deve ser julgada por sua escolha, isso é algo muito pessoal. 

No caso da Mai é interessante como, apesar de pessoalmente eu achar sua fisionomia original bem bonita, ela acabar se enquadrando no estereotipo do patinho feinho. De modo que ela nunca conseguiu fazer com que o amigo a olhasse com os mesmos olhos que olhava para Miyazaki Chisato (Marie Hatanaka), que se enquadrava num padrão de beleza convencional. A imagem abaixo é um ótimo exemplo do quão inferiorizada se sentia, com uma expressão taciturna e comportamento retraído, em contraste com sua vivacidade de antes. 
Se aproximar da aparência física de Chisato; tirando as sardas, aumentando a espessura dos olhos, alterando o penteado e etc, foi Mai negando a sua identidade para se enquadrar no ideal de outro, afinal, ela toma sua decisão em busca de uma aceitação externa. É um pouco triste, mas assim é o mundo. Algumas pessoas são fortes o suficiente e bem resolvidas para se aceitar como é, entendem que a maior aceitação que existe é a sua própria (podendo ou não decidir por uma mudança, mas partindo de si mesmas), mas em muitos casos, como o da Mai, isto é ocasionada por uma forte pressão externa no qual para ser aceita, precisa se enquadrar mesmo que isto signifique abrir mão de sua identidade que até então não lhe incomodava. É curioso que, ao contrário de como geralmente é no ocidente, no Japão até pouco tempo atrás a cirurgia plástica era encarado com escarnio e desaprovação social, as pessoas que mudavam sua aparência eram tratados de forma depreciativa – isso evidentemente mudou/está mudando com os novos tempos, mas é seguro dizer que para aqueles que preservam os valores tradicionais isto não é algo a se ver com bons olhos. Eu acho que Mai é um arquétipo das pessoas que são oprimidas socialmente por sua aparência, se tornando um bom reflexo do quão hipócrita são certos valores sociais, pois embora seja pressionada por sua aparência, não lhe é “permitida” o livre arbítrio de optar pela mudança, sendo severamente julgada por tal. Ela não se lembrar da própria identidade, enquanto o storyboar confronta a personagem com o seu reflexo ao fundo, foi de uma epifania incrível de poesia temática. 
Assim, Death Parade continua oferecendo um quadro reflexivo deveras interessante sobre os valores humanos, uma vez que esta é uma faceta bem presente na sociedade japonesa. Dias desses, estava lendo um artigo sobre uma estudante que em termos de aparência não era lá muito atrativa (eu não vou ser hipócrita aqui, então vou dizer que para mim ela parecia visualmente muito feia), e por isso ela fez diversas cirurgias plásticas até se transformar em praticamente outra pessoa – dessa vez, linda e deslumbrante visualmente. Algumas pessoas que passam por essas cirurgias drásticas de aparência tendem a postar um antes e depois, mas isto não é muito bem recebido no Japão, então no caso desta garota, ao postar as fotos de como era anteriormente no twitter, ela passou a receber diversos tweets ofensivos e depreciativos, que em resumo, dizia que ela poderia parecer uma garota bonita agora mas que no seu interior continuava sendo um mostro grotesco. Ter este conhecimento dá muito mais peso para a decisão de Shigeru em aceitar Mai – para nós ocidentais onde a “melhoria” da aparência é imposta constantemente isto não possui grande valor, no entanto, pelo aspecto cultural japonês, entende-se o motivo de a narrativa colocar grande ênfase na aceitação dele, já que o anime é produzido através da ótica de japoneses. Há muitas obras que tratam sobre a questão, mas tem especialmente um filme que comentei uns tempos atrás aqui no blog que trata sobre a mesmíssima questão da não aceitação e perda de identidade, ainda que referente a um outro contexto.

E bem, deixar a escola também não é algo bem visto e aceito, e narrativamente isto dá mais peso dramático ao conflito de Mai, evidenciando seu sacrifício em busca de um ideal de beleza. 
Parece cruel? Parece triste? O amor é isto ai babies! Nós somos virtuosos e sujos. Já parou pra pensar nos sentimentos daquela pessoa feinha que tinha um amor platônico por você, enquanto você babava por aqueles seres humanos de beleza altíssima? Como impedir que esta pessoa se sinta inferiorizada? É algo que vem da infância, e o trabalho deve começar de lá [aprendo a aceitar e a lidar com as diferenças e valorizar o que há de melhor em si mesmo], mas não quer dizer que será mais fácil ou será aplicado. Felizmente, podemos amar incondicionalmente a despeito da aparência, mas é claro que ela ainda continua o centro de qualquer atenção. 

De qualquer forma, este episódio propicia um raro momento de beleza e ternura humana. De fato, a vida é realmente um mistério fascinante. Somos seres dotados de particularidades e individuais, mas os caminhos de cada um estão entrelaçados e se influenciando mutualmente, porque o ser humano é incapaz de lidar com a solidão e viver só (o sucesso das redes sociais é um reflexo disto) por mais inadequado que se sinta. A busca por objetivos é o que permeia nossa existência, mas alcança-lo ou não, por muitas vezes é algo que independe do nosso esforço, mas como livros com páginas em branco, as vezes o acaso da vida nos surpreende com resultados inesperados.
É um episódio que ao final entrega totalmente a recompensa para o expectador, ao invés de deixar um gosto amargo na boca, como tinha que ser. Para isso, ambos deveriam receber o melhor destino. É bom ver casos em que as pessoas não se resumam a pecadores e repletos de sentimentos negativos. Mai fez o que achava certo para alcançar seu objetivo e não parecia estar arrependida. A sua abordagem é muito válida, explorando os limites da estrutura da série, e o desfecho inesperado em que ambos são enviados para a reencarnação é refrescante e abre o leque de possibilidades. Incomoda um pouco a simplificação de alguns conceitos, como Céu e Inferno, com a narrativa optando por uma mitologia religiosa própria fundida ao budismo, chocando-se contra todos os preceitos budistas – como caracterizando a vida na terra como o “céu”. Optando por esta ótica, a série perde a complexidade de vários conceitos de vida e morte, embora forneça certa originalidade na proposta. Por outro lado, parece flertar com alguns conceitos cristãos. No cristianismo, o “céu” é na verdade a terra. Com os métodos de cristo para convencer as pessoas a serem virtuosas, o céu se tornou sinônimo de paraíso, mas o Reino dos Céus que ele pregava, segundo a mitologia, acontecerá na terra, após o julgamento final. Será que há algo neste sentido, aqui? 

Seja como for, o conceito de inferno de Death Parade é semelhante ao cristão, em que a alma da pessoa é lançada para sempre na escuridão do tormento eterno. Representado pela máscara Hannya, do teatro Noah, ela simboliza todos os sentimentos negativos do ser humano; da obsessão a desonestidade, mas também da tristeza ao tormento – o exato oposto da mascara Ko-omote, que representa a inocência e ingenuidade; serenidade e juventude. Segundo o glossário na página oficial de Death Parade, o “vazio” na mitologia da série é o cemitério da alma, para onde são enviadas as almas que são descartadas por conterem sentimentos negativos. E ainda há um duplo sentido para os caracteres “と 意識” que tanto podem significar “vazio” como também estado de “consciência”. Neste caso, definitivamente um inferno, onde a pessoa irá se lamentar por todo o sempre com todos aqueles sentimentos e memórias. Isto meio que me deixa puta com os julgamentos tendenciosos do Decim, que tem dificuldade em lidar com a emoção humana (que já é complexa por natureza, imagina então para um ser que não tem conhecimento deste grau de complexidade)
Olhando dessa forma, a ideia da série faz parecer que se existe realmente seres superiores que julgam nosso destino, definitivamente eles não são lá muito justos ou confiáveis. Bem, acho que convém eu encerrar os comentários por aqui, só gostaria de acrescentar que Decim e a Kurokami no Onna estão me surpreendendo mais e mais a cada episódio que se passa. Em Death Billiards, nós não tínhamos uma visão mais intimista dos dois, mas sim a partir de uma certa distância, o que lhes conferiam um ar enigmático; com aspecto frio e insolúvel. Já no final do segundo episódio, este paradigma é quebrado em relação ao Decim e, no terceiro, Kurokami definitivamente não é mais aquela personagem distante de tratamento gélido. Suponho que seja isso o que acontece quando convivemos com a alguém que normalmente só víamos superficialmente. É aquela coisa sobre julgamento. Mas bem, a relação deles é bacaninha e é bonitinho a forma como ela o trata. Como ele é estoico e não possui muito de emoção humana, ela se torna o seu contraponto, com o temperamento quente e explosivo. Romance? 

Isso me leva ao que eu sempre acreditei: o motivo de a abertura ser tão alto astral e descontraída é porque ela se dá pelo ponto de vista dos personagens (shinigamis) daquele mundo pós-morte, então por mais que os casos sejam densos e dramáticos, a relação entre eles é como o de quaisquer outras pessoas em um setor de trabalho. São como agentes funerários e pessoas que lidam com autopsia, você acha que eles não sorriem e fazem piadinhas entre si com corpo todo fodido do lado? É como Nona disse para Kurokami no primeiro episódio; é feio, mas você se acostuma.

Avaliação:  ★★★☆ ☆
Staff do Episódio
Roteiro: Yuzuru Tachikawa
Storyboard: Jun Shishido
Direção do Episódio: Kiyoshi Murayama
Diretor Chefe de Animação: Shinichi Kurita
Diretor de Animação: Hiromi Okazaki, Keiko Yamamoto
Direção: Yuzuru Tachikawa
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