Gosick começou de forma bem despretensiosa, seguindo a formula de pequenos arcos onde Victorique, com a ajuda da "fonte da sabedoria" e principalmente seu fiel escudeiro, Kujo. A verdade é que todo Sherlock Holmes precisa de seu Watson. Mas não se engane, Gosick não é romance detetivesco, isso é apenas um aperitivo. Gosick é antes de tudo uma maravilhosa história de amor (Oi?). Ah... Gosick, sentirei muito sua falta e os personagens que aprendemos a admirar e até mesmo aqueles tão criticados. Sim, estou falando de Kujo. Mas que com o passar dos episódios e o gradativo desenvolvimento de cada um e a forma como eles foram se envolvendo e se revelando perante nós, foi o que precisava para que nos víssemos torcendo e ansiando para onde tudo aquilo iria levar. Gosick evoluiu de tramas medianas á momentos realmente épicos, onde os fatos foram se revelando pouco a pouco e pudemos tomar conhecimento do passado de Victorique e seu elo com os demais personagens, incluindo ai até a cidade de Saubure.
"Vamu gente", balancem as mãozinhas ai :) ED muito bem animada e produzida
Na minha mente, o segundo encerramento de Gosick, "Unity" (composta por Lisa Komine) já se tornou referência a Vic e a Kujo e sua tocante saga para ficarem juntos. Desde o inicio Gosick nunca se mostrou um anime pretensioso. Eram episódios agradáveis, onde os casos nem sempre eram tão engenhosos, mas era sempre divertido ver a astuta Victorique juntando todos os fragmentos do caos, vê-la entediada e se revirando pelo chão. Ver seu jeito orgulhoso, quase nunca honesta consigo mesma. E Kujo então? Um garoto, um pirralho com uma voz estridente e enjoativa, o “VICTORICAAAAA” acabou virando um jargão na ponta dos dedos de todos que acompanhavam o anime pelas internets afora.
Gosick foi um anime que flertou e brincou bastante com o lado sobrenatural e algumas coisas, como alguns truques de mágica , são quase que inexplicáveis ou quando se explicam, alguns soam bastante surreais. Mas tudo bem, nunca foi nada que chegou a ofender a inteligência de ninguém e se até em Death Note, nem tudo faz sentido, sejamos mais benevolentes com Gosick. O que? Estou sendo boazinha? Ah me perdoem, mas ainda que eu esteja totalmente envolvida pela emoção e escrevendo isso tudo no puro impulso, ainda tenho alguns lampejos de racionalidade e Gosick é sim merecedor de muitos elogios. Nunca nos foi permitido compartilhar dos pensamentos da Vic, nem nos foram dadas pistas realmente boas para que também pudéssemos brincar aqui do outro lado, já disse que isso tudo funcionou como um belo pano de fundo para o enredo real e principal motivação de nossos protagonistas.
Lendas urbanas também se fizeram bastante presente em Gosick, começando com o inicio de tudo. O “Shinigami da Primavera”. Uma lenda que começou lá atrás e que acabou alcançando Kujo, que ao ingressar na Academia Santa Margarida foi alvos de intensos comentários desconfiados e ele acabou sendo inevitavelmente relacionado ao “Shinigami Negro”. O mais interessante ao meu ver foi o da “Fada Dourada”. Um conto, desses que os antigos se encarregam de passar aos seus netos e assim a lenda se mantém bem viva. A lenda conta, que numa floresta, em meio a solidão, vivia uma "Fada" que sabia tudo sobre o mundo e costumava dar conselhos aos que por ali passavam, porém, exigindo a alma do viajante em troca, para que se alimentasse. Isso diz muito da relação de Vic e Kujo.
A que menos relevante seria a de “Queen Berry”, a lenda que assistimos no primeiro arco do anime e que já mostrava do que se tratava Gosick, onde duas crianças intrometidas se metiam a detetives, atrapalhando planos realmente mirabolantes e bem bolado pelos adultos. Duas crianças que encontram um no outro a força e o ideal que precisavam. Mas se essa é fraca e as duas anteriores que citei soam “românticas” demais, então vamos á algo que realmente foge do subjetivo e se tornam peças fundamentais para toda a "engenharia" que o enredo do anime se descambaria a partir da metade da trama. O passado de Victorique vem á tona. Elementos importantes enfim começam a ser acrescentados ao enredo. E olha só que interessante, até mesmo uma previsão, feita lá atrás seria relembrada diversas vezes, se tornando motivo de ansiedade!
Começando pela lenda do Alquimista Leviatã, que bastou Victorique consultar na "fonte da sabedoria" que toda a “meia” verdade viria à tona. Mas nem tudo é revelado á nós. Como eu disse, não dá pra participar, a não ser por algo que se mostre obvio demais. Bobo em demasia. E não querendo me fazer, desde que vi toda a resolução desse arco, já imaginava algo bem perto daquilo que se mostrou no desfecho. A saga do africano Leviatã e sua história brilhante história foi um dos pontos mais altos do anime e achei ainda mais interessante o fato de toda essa história estar interligada com a da saga final do anime. Sua história proibida com a Rainha Coco foi algo envolvente e que não vemos sempre por ai. Assim como também toda a história de Cordelia Gallo e sua única razão de viver. Tive muito medo de que o vilão principal da trama, o pai de Victorique, Marquês Albert de Blois, caísse no lugar comum, bem próximo de algo bem maniqueísta, mas não aconteceu. Suas motivações por mais megalomaníacas que fossem, eram bem plausíveis. Com certeza, um dos vilões mais desprezíveis que pude assistir.
Li coisas absurdas sobre o visual Gothic Lolita de Victorique, assim como todo o seu moe, exalado por suas expressões faciais, a concepção do seu tamanho que lembra e muito uma boneca de porcelana e principalmente pelo inconfundível traço de Hinata Takeda (Quem ai vai assistir Croisée?), que foi a responsável pelas ilustrações da Light Novel, ao qual o anime se baseou. Gothic Lolita ou "GothLoli" é uma moda urbana, utilizada por muitos jovens japoneses, com o figurino remetendo principalmente á moda vitoriana (tenho um artigo parado sobre o assunto, um dia vocês o verão) com o intuito de imitar a aparência de bonecas de porcelana ou princesas. Apesar da origem ser da moda “Lolita”, onde garotas mais velhas tentam ficar com uma aparência mais fofa e infantil, o conceito visual Lolita foi algo que se misturou bastante e ganhou conotações menos sexuais (em algumas obras) e mais artísticas, sendo uma linguagem visual adotada bastante em obras históricas e no gênero terror. Também considero o moe de Gosick algo bem natural e que não atrapalha e nem ofusca em nada o andamento da trama. Mas claro, quem curte o “movimento”, adora os fanservices. Apesar da onda otaku, é bom ver algo realmente fofo e sem nenhuma outra conotação a mais envolvida.
Com uma pegada bem dramática, o ultimo arco e que trata de mais uma outra lenda urbana, Monstre Charmant, a história de um monstro de Saubure que assumiu a forma de uma garota e que tinha um coelho como companheiro e protetor. Algo que remetia particularmente novamente a Kujo e Victorique. Foi muito bem desenvolvido e com umas viradas simplesmente fantásticas. O duelo final entre Cordelia e Albert de Blois foi simplesmente de tirar o fôlego. A forte vontade de Victorique que passou por momentos realmente difíceis e que pessoalmente, me deixou com o coração na mão! Kujo também se mostrou bem valente nas situações que encontrou pelo caminho. De um garoto que vivia nas barras da saia de Victorique, se tornou um combatente de guerra e por falar nisso, o BONES mostrou novamente o motivo de ter o carinho de tantas pessoas. Cenário realmente excelente, com cenas que não chegam a ser antológicas, mas que para um anime sem lá grande orçamento, foram muito bem produzidas. Se você olhar de uma forma mais técnica, não é nada tão incomum. Mas se você se deixa levar pela trama, aquilo tudo passa a combinar perfeitamente, sendo uma união perfeita entre roteiro e imagens.
É. Eu estava me indignando já. O anime terminando e nada de ver o momento mais esperado. Mas em forma de prólogo, o sentimento de satisfação toma conta. Afinal, Gosick pedia algo assim. O episódio 23 e 24 poderiam muito bem ter sido exibidos em dupla sessão. Eu fiz isso (assisti os dois em maratona hehe), mas as emissoras japonesas poderiam abrir os olhos pra isso, que é bem comum nos EUA nos seriados americanos. O último foi levado de uma forma menos densa e mais relaxada, permitindo uma fechamento com ares novelístico, com uma clima bem tranqüilo e a trama embalada pela música “Unity” (sim, me apaixonei por ela, se lembrem de mim quando ouvi-la D:). No MAL, minha nota para Gosick ficará no 8. Mesmo alternando entre episódios bons e outros meio “méh”, no geral foi uma série gostosa de se assistir e porque não, divertida. Na minha concepção, é bem melhor assistir um anime mediano, mas que te divirta e enterta (e quem sabe, até mesmo te faça suspirar) e da forma mais descompromissada possível se torne uma série que valeu á pena acompanhar do inicio ao fim (e que para alguns se torne inesquecível), do que uma que tenha pseuda-trama adulta e complexa, mas que no fim se revela um verdadeiro fiasco. Gosick é um bom anime de romance e com uma trama fechada e contundente com tudo que apresentou ao seu decorrer. Bom, espero que tenha sido bom pra vocês também. Mandou bem, BONES e uma salva de palmas para uma das minhas seiyuus preferidas, Aoi Yuki. Pra quem diz que dublagem japonesa é tudo igual. Essa ai mostrou (e continua mostrando) ser extremamente versátil. Não falei tudo o que eu queria, deixei muita coisa de fora que seria bem vinda em uma análise mais crítica e técnica. Mas deixo isso para alguns do blog parceiros, que por ventura venha á analisa o anime. Até mais!!