sexta-feira, 19 de agosto de 2011

[+18] GOTHIC & LOLITA PSYCHO: O Mundo Bizarro de Yoshihiro Nishimura


Oláááá, meus queridos! Se vocês acham que o Quentin Tarantino exagera nas cenas violentas, que seus esguichos de sangue soam muito surreais ou que seus roteiros não fazem o menor sentido, é porque não conhecem Yoshihiro Nishimura. Bem, se conhecem, já sabem o que esperar dos filmes que tem a mão desse japa que é de tudo um pouco, ator, diretor, roteirista e o campo em que ele mais se destaca: efeitos visuais e diretor de maquiagem. Sua fama vem predominantemente dos filmes de Horror/Trash/Gore/Splatter, que pelo acentuado Slapstick (humor pastelão), estão mais pra terrir do que terror – e é exatamente essa a intenção. 


Oh, não! Isso aqui ainda não é a adaptação de Uzumaki  - cena do filme Tokyo Gore Police  ^_^
A proposta inicial é que esse post fosse breves comentários sobre o filme do titulo, mas permitam-me fazer um pequeno desvio. Yoshihiro Nishimura em tudo que se envolve, deixa tudo mais grotesco, com humor bizarro, muito gore, com personagens maníacos e super caricatos. Chega um momento que seu cérebro dá um nó e você se pergunta: “O que está acontecendo?” “Que *orra é essa?”. O cara é completamente maluco e se há uma palavra que define bem seus filmes, seria isso: INSANO.

Imagem chocante, mas necessária pra se fazer entender ò.ó

Vamos comentar os mais famosinhos, começando por Tokyo Gore Police (olha só que site BA-CA-NA http://www.tokyogorepolice.com/), filme que ele foi diretor. Litros de sangue, porradaria e aberrações, está tudo incluso no pacote e você ainda recebe um troco. No filme, Ruka (Eihi Shiina) é uma policial e trabalha em uma organização, que tem a especialidade de caçar mutantes (LOL). Esses mutantes são assassinos e tem a habilidade de transformar ferimentos de seus corpos, em armas mortíferas. Como todo filme em fase promocional, Tokyo Gore tentar enganar e enganou muitos, com um trailer interessante e pôsteres convidativos. Não é mesmo? Afinal, Eihi Shiina é uma gracinha e ainda trajando uma katana, bota ¾, cinta liga á mostra e gravatinha, cosplay perfeito, ãnh!? Mas enganou por quê? Veremos o motivo ao final da postagem. -Destaque para a casa de stripers, com mulheres bizarras, com olhos no lugar da boca, seios costurados, mulheres-cadeiras e... vocês entenderam.



Em Vampire Girl vs Frankenstein Girl (Kyuketsu Shoujo tai Shoujo Furanken) temos uma adaptação de um mangá que é considerado um dos mais bizarros, delirantes e depravados dos últimos anos. De autoria de Shungiku Uchida e que ganhou adaptação também em anime, que hoje se tornou tão raro quanto, o que é uma pena (aliás,o mangá não tem scans, mas quem tiver links válidos do anime, me passe essa preciosidade). Bem, falando do filme, a história tem com foco um triangulo amoroso entre Mizushima (Takumi Saito) e suas colegas de classe Monami (Yukie Kawamura) e Keiko (Eri Otoguro). Só que a Monami, é uma vampira e nos dias dos namorados, presenteia Mizushima com chocolates, que tem seu sangue, com o intuito de também transforma-lo em uma criatura imortal. Mas Keiko também gosta dele e pretende lutar por seu amor. Ela recorre ao seu pai, que é um cientista maluco (olha as dorgas). Então, que se inicie o tóxico visual, com metamorfoses malucas, desmembramentos, tripas e sangue CGI esguichando longe.

Vampire Girl vs Frankenstein Girl

E claro, há outros como RoboGeisha, que eu ainda não assisti. Mas vou me ater somente aos que acompanhei. Então, finalmente chegamos no titulo da postagem: Gothic & Lolita Psycho, um filme dirigido por Go Ohara e com o toque especial de Yoshihiro Nishimura. Basicamente, Yuki (papel interpretado pela idol Rina Akiyama) é a personagem titulo (e protagonista) e tudo gira em volta dela, OBVIAMENTE, hehehe. Dessa vez o fetiche é com uma garota trajada como gothic loli. E não, Rina Akiyama não está velha demais para o papel, ao contrário do que vemos nos animes, a concepção perfeita para o termo, é justamente em mulheres já grandinhas,se parecerem com garotinhas. Enfim, a história é qualquer coisa sobre uma vingança de Yuki, que teve a mãe assassinada brutalmente por uma gangue. Na sinopse, diz que Yuki se transforma em um demônio e sai á procura dos culpados, mas olha, não é bem assim não. Provavelmente, a melhor coisa do filme é a Rina Akiyama com sua sombrinha que se transforma em espada e metralhadora. Alias, uma curiosidade: Rina faz ensaios sensuais e é conhecida como “Bishiri no Joo”, ou no bom português,“A Rainha da bunda linda” (putz).

Gothic & Lolita Psycho

Entenderam? Se existe mais o que se comentar sobre a atriz do que o próprio filme, é que alguma coisa está errada. E o filme é realmente muito ruim, a pior coisa que eu já assisti em meses. O humor e as atuações são hiper canastronas e sério, não há enredo nisso. A Yuki vai enfrentando uma por uma, das pessoas que estiveram envolvidas no assassinato de sua mãe e é isso, termina um, passa pra outro. É como nos game, vai passando de fase e pasmem, no filme cada vez que ela elimina um, aparece uma carta com o próximo adversário. Bom, eu só sei que faltando uns 30 minutos para o fim, eu não agüentei e adiantei para o final (claro, antes eu já havia cochichado bastante), mas precisamente os 5 minutos finais.

Eihi Shiina ao lado de Yoshihiro Nishimura

O que eu posso dizer, é que há coisas que simplesmente não funcionam em live actions, com atores reais. A grande verdade é que salve pouquíssimas exceções (THE MACHINE GIRL de Noboru Iguchi, consegue ter um pouco mais de background), o splatter japonês não me atrai. Não acho engraçado e mesmo com o indiscutível apelo artístico, considero vazio demais de conteúdo. No universo de terror japonês, há o gore, que atrai muitas pessoas pelo seu conteúdo chocante e suas representações literais e ultra violentas. Em meio a violência visual, há o termo "splatter", geralmente vinculado á filmes que contem mutilações, muito (muuuuito mesmo) sangue e bastante bizarrices. Splatter foi um termo definido por John McCarty, ao comentar sobre um clássico de George Romero, “Zombie – O Despertar dos Mortos” (Originalmente; Dawn of the Dead, de 78).

Nos EUA, onde o terror frequentemente acaba caindo na trilha do trash, podemos ver bastante produções seguindo o mesmo feeling, mas os americanos são bem mais contidos e as histórias costumavam ser interessantes, como PLANETA TERROR (Talvez “O Albergue” seja uma melhor opção pra citar aqui) de Robert Rodriguez. Particularmente, curto bastante a temática trash, onde tudo é muito tosco, mas que sempre há algo bacana a ser aproveitado. Só ver sangue esguichando e pessoas sem partes do corpo ou **insira aqui sua bizarrice preferida** apenas me da sono. Nesse caminho, ainda tenho uma quedinha maior pelos americanos que se atrelam ao suspense e mascaram bem o roteiro feito por algum estagiário, com uma boa direção. Talvez Kill Bill seja o maior exemplo, de como trashs são divertidos, quando o foco não é apenas no sangue. Qualquer hora comento mais sobre, pois apesar de não gostar, é um universo interessante de ser analisado, até mais.