Olá! Hoje vou ser bem breve. Faz muito tempo que não comento
nenhum One shote (história de capitulo único) aqui – a última vez foi o depravado e
divertido, Gênesis – e nada melhor que começar com aquilo, que logo se tornará
uma série de posts por aqui. O estilo surreal e – atualmente - politicamente
incorreto de Lewis Carroll e sua escrita transgressora de sua obra, Alice no
País das Maravilhas e Alice Através do Espelho, que dão asas a imaginação. E
felizmente a formas mais interessantes de se observar a multiplicidade de
Alice, além da visão míope do tio Tim Burton (desculpe sociedade).
Alice in Mirrorland
Louco e sem sentido? É bem por ai. A melhor forma de se
apreciar Alice in Mirrorland, é como se fosse uma série de quadros em
exposição, de algum artista excêntrico. A arte é intencionalmente grotesca e
provocativa. E porque não dizer, perturbadora? Por meio de 11 quadros, sem
quaisquer dialogo, a história é tecida até o seu desenrolar final. Só o que
precisamos saber, é sobre o que se trata a história:
Alice espera com sua mãe em um elevador. Todos os homens
olham para os peitos de sua mãe. Alice não vê razão para isso. Por alguma
razão, não lhe parece certo.
Enquanto reflete do por que, ela percebe que está em outro
mundo. Assim como aquela protagonista famosa, naquela outra história.
Então, estranhamente, ela também tinha os olhos dos homens
colados nela. Para ela, ela também era uma adulta, assim como sua mãe.
Assim como se aprecia uma belíssima ilustração abstrata, que
te oferece diversas opções de interpretações, Alice in Mirrorland também pode
ser visto assim. Ainda que a força visual seja bem direta e de fácil
compreensão – a meu ver, uma belíssima fabula sobre crescer e descobrir um
mundo diferente do seu, o competitivo e melancólico mundo em P&B dos
adultos. Mas bem, é uma One Shote interessante e nada mais, é como um bom copo
de café, que logo será esquecido. Mas que vale a pena uma breve apreciação. De
autoria do francês Nicolas Nemiri, a história de um capitulo foi publicada em
2008 na revista seinen, Mandala, da editora Kodansha em seu aniversário de 25
anos, onde abriu as portas para autores de 16 países. Ele fez um ótimo trabalho
ao conseguir transpor desejos ocultos da natureza humana em tão poucos quadros.
Alice in Underground
Este aqui é um conto ainda mais estranho e cabuloso! Esse
conto segue de perto a premissa da história de Alice no País das
Maravilhas (o anterior como já se faz notar, é inspirado em Alice no País dos Espelhos), mas com um feeling bem insano. A Alice aqui é uma sádica que se
diverte impondo torturas e ordens descabidas para as figuras do universo criado
por Lewis Carroll. Ao contrário de Alice in Mirrorland, dessa vez a força da
história está em sua narrativa, sendo que visualmente não há qualquer destaque,
tanto que, o fundo onde visualmente a história acontece, é bem opaco. São
apenas 4 paginas (!), que levam a história a um desfecho... surpreendente? Bem,
é você quem vai decidir isso e particularmente, gostei de como tudo foi
retratado.
A história e arte são da mangaka Mitzukazu Mihara, que tem
um estilo próprio de ilustrar (há quem goste e quem odeie). Ela escreve bastantes
contos (muitos com a temática de horror, como esse aqui), se fazendo bastante
presente na revista Gothic & Lolita Bible, sonho de consumo de 6, entre 10
otaquinhas. Ah, além de Mitzukazu Mihara ter um traço, que particularmente
acho belíssimo em sua excentricidade, ainda é fã de Alice. Pense só...