O que, Deadman Wonderland e Highschool of the Dead tem em
comum, além de serem direcionados a certo nicho do público? Suas respectivas adaptações para anime. Pode
ser dizer o que for sobre essas adaptações, questionável ou não, elas elevaram
os nomes dessas duas séries para todo o fandom de animes, que não
necessariamente estão sempre antenados com os hits classe b de séries de mangá.
Com isso, a base de fãs aumentou consideravelmente e a Panini sempre sabe muito
bem como se aproveitar disso e assim, Deadman Wonderland chegou a nossas
bancas, para alegria dos fãs do mangá e para os que apenas apreciam o título.
Deadman Wonderland é um mangá shounen com roteiro de Jinsei Kataoka e ilustrado por Kazuma Kondou, os mesmos do mangá Eureka Seven, que nada mais é que uma adaptação do anime original homônimo, um projeto do estúdio de animação BONES. Por isso, são duas séries completamente distintas entre si. Atualmente, DW se encontra no volume 11 e está no auge de sua história e apesar de rumores sobre seu possível fim, ainda demonstra folego para mais alguns volumes. É publicado pela revista Shonen Ace, da editora Kadokawa Shoten, uma revista que procura explorar um lado, como posso dizer... mais cult do gênero shounen, com publicações com enfoque num publico mais restrito, como o mangá Bem-vindo a N.H.K.! ou MPD Psycho. E é dai que talvez, venha o feeling do mangá de às vezes – querer – aparecer uma história mais adulta do que realmente é.
É a velha trama adolescente e serão estes que encontraremos
em DW, ou pelo menos em sua maioria em que a história girará em torno. Crises
na adolescência? Veremos isso em Ganta, protagonista da história, que terá que
aprender aos trancos e barrancos a se adaptar ao seu novo estilo de vida. Mortes,
sangue, garotas lindas e cheias de curvas com crises de identidade, dupla
personalidade, tomboys, G-Cup, psicopatas adoráveis, palavrões e uma
diversidade de palavras de baixo calão são as mais básicas características de
DW.
Abrem-se os portões da Deadman Wonderland
Dez anos apôs um terremoto que varreu Tóquio dos mapas
nipônicos, surge a primeira prisão do Japão, de iniciativa totalmente privada
com um suposto motivo de promover a restauração da cidade. Mas a coisa é muito
mais escusa do que aparenta e os objetivos não são tão nobres, como descobrimos
nos capítulos seguintes. DW além de uma prisão que abriga diversos tipos de
criminosos, também funciona como uma atração turística, onde os detentos são os
palhaços nesse grande circo dos horrores.
Inicialmente, acompanhamos as histórias de jovens afetados
por uma misteriosa habilidade de manipular seu sangue, estes são denominados
Deadmans. Eles não são apenas pessoas comuns com uma habilidade em comum, o
sangue deles se transforma de forma imprevisível em armas letais. Mas nem todos
em DW possuem essa habilidade especial, apenas alguns, os Deadmans, e estes,
vivem no subsolo da prisão, no até certo momento, desconhecido Bloco-G. Então,
acaba ocorrendo uma divisão bem irônica dentro de DW, entre os de “natureza
boa” e “natureza ruim”. Leia-se o irônico como: “ali mais de 95% dos personagens, são de índole perigosa, doentia e
manipulativa”. DW traz novamente à tona sobre a ótica de um personagem
inicialmente inocente e puro, os humanos como criaturas maléficas e perversas.
A história dá vislumbres do que há de pior na humanidade: a covardia. Mas já
vimos isso antes, não é mesmo?
Deadman Wonderland é uma história de sobrevivência, aliás, mais uma história de sobrevivência.
Dessa vez o cenário é dentro de uma prisão temática. A história tem o mesmo
feeling de outras séries do mesmo segmento, como por exemplo, Mirai Nikki ou Battle
Royale, mas ao contrário destes, DW não se desenvolve como um thriller e nem
chega a ser melodramático e tão psicológico. A formula é shounen e a forma como
tudo é conduzido, é hiper empolgante a agradável, além da história se
desenvolver de uma forma bem ágil, principalmente na segunda parte do mangá, logo
após o volume 05.
Embora, Ganta às vezes perde o rumo, ou até mesmo os outros
demais personagens centrais possam parecer meras peças no tabuleiro, Jinsei
Kataoka parece sempre saber aonde quer chegar com sua história, que tem como
fio condutor e principal mistério do enredo, a relação entre Ganta e Shiro, uma
garota albina de olhos vermelhos, além do suspense e virtual vingança que fica
em suspense através do esperado embate dele com aquele que foi o responsável
por tirar-lhe a liberdade, o “Homem Vermelho”. No fim das contas, DW é uma
história sobre “amigo contra amigo”.
Ponto de Partida
No inicio da história, vemos em Ganta Igarashi, o típico
adolescente despreocupado e vivendo uma das melhores fases da adolescência: a
vida escolar ao lado de seus amigos numa Tóquio que tenta se reerguer do
terrível terremoto que colocou 70% da cidade sob as águas. Terremoto este que,
não é simplesmente jogado na história, parecendo que de nada terá serventia lá
na frente, pelo contrário, ele é bem explicado e tem em suas origens, o maior
segredo do enredo. Mas seguindo em frente, em mais um dia monótono e feliz, com
seus amigos na sala de aula onde ironicamente, discutiam sobre a excursão que a
escola faria á prisão de Deadman Wonderland, uma pessoa estranha com o rosto
coberto por uma mascara e cheio de sangue, aparece flutuando na janela de sua
sala e canta uma música peculiar. Uma música em rimas que Gata não lembra, mas
já a ouvira em algum lugar – outro ponto interessante da história, é onde uma
canção infantil com rimas bizarras sempre leva a história em torno de Ganta e o
misterioso passado envolvendo ele e a estranha garota albina, de volta ao
passado, seja indiretamente ou diretamente, através dos flashbacks.
Mas não há muito tempo para que Ganta pense a respeito, pois
a estranha pessoa com um tipo de poder surreal mata todos os seus colegas
presentes na sala de aula, de forma brutal, sobrando apenas ele. Para a coisa
ficar ainda mais interessante essa estranha pessoa ainda coloca no peito de
Ganta uma misteriosa pedra vermelha. Na verdade se trata de um cristal, que dá
a Ganta habilidades de manipular o próprio sangue. Assim, ele se torna também
um Deadman, mas o caminho até ai e pós sua nova condição não será fácil. Depois
de uma jogada desleal de um dos principais articuladores de Deadman Wonderland,
Tsunenaga Tamaki, Ganta é condenado rapidamente e logo enviado com sentença de
morte marcada para a Deadman Wonderland.
Tudo acaba girando em torno do OVO MISERÁVEL, que é
conhecido como o “Homem Vermelho”, a origem de todos os Deadman:. “Ele é o começo e o fim de todos os pecados,
comédia e tragédia, força e fraqueza, vida e morte, amor e ódio, ele abrange todas
as contradições... e eu amo isso.”
![]() |
Capas versão japonesa |
Como tudo vai evoluindo
Mas não há realmente um foco restrito nesses duelos, a
história segue uma linha linear e com desenvolvimento crescente. O autor faz
umas jogadas incríveis e assim, pequenas reviravoltas vão acontecendo com o
passar dos capítulos. A carga dramática também aumenta e o nível psicológico
dos personagens é explorado ao máximo. Surreal, violento e cheio de humor
negro, Deadman Wonderland, tem um time de personagens muito bons. Loucos,
pervertidos, psicopatas, você encontra tudo ali. Em Senji Kyomasa, temos o
típico anti-herói shounen, que acaba se aliando ao protagonista. Minatsuki
Takami, minha preferida ao lado de Toto Sakigami, uma personagem com distúrbio
e personalidade e incrivelmente charmosa no seu estilo doentio e pervertido,
sempre com palavras chulas na boca. A oficial responsável por este hospício,
Makina, uma sociopata e típica badass, que mais a frente acaba se destacando
bastante.
Temos em Shiro a personagem chave da história, o par
romântico de Ganta, com uma personalidade ingênua e amigável, esconde um lado
sombrio em sua personalidade. Ganta não é o clássico herói que conhecemos, ele
é pirracento e muitas vezes, ingrato e cruel com quem menos merece. Além disso,
chorão pra caramba e fraco. Mas acredite ou não, essas são as melhores
qualidades do personagem.
São bastantes pontos de interrogação que ficam boiando em
meio aos capítulos, mas tudo se desenvolve e tende a terminar de forma
impecável, como podemos já visualizar no arco final da história. Tal qual em
Pandora Hearts, Deadman Wonderland usa a prisão de uma forma descrita como o
inferno na terra. Um local onde a dor e o desespero são inevitáveis, todos
possuem uma história meio triste e esperar por lógica e justiça, não é algo
sensato a se fazer. Mas em cima disso, temos o velho clichê de contendo lições
de amizade e companheirismo. Clichê, mas não deixa de ser legal. O humor negro
também uma peculiaridade do roteiro, servindo como uma válvula de escape. “Loucura ou não, a reliadade é feita dos
maiores absurdos.”
Comentando a edição da Panini
Ficou longo demais, não é? Mas bem, não posso finalizar sem
comentar a edição brasileira de DW. Como sempre, o tratamento padrão que a
editora Panini dá aos seus mangás, se não é o ideal, dentre do que temos no
mercado brasileiro pode ser izer que é excelente. A tradução da Drik Sada,
muito fluida, como já era de se esperar.
Também não há o que se questionar da edição da Débora Kamogawa. Contra capas
com imagem coloridinha, mas no mangá é tudo em P&B mesmo e natural, já que
originalmente DW não tem páginas coloridas, somente na revista onde é
serializada e ai cabe somente á editora original autorizar o uso dessas
páginas. No mangá, há diversos extras bem legalzinho e a Panini nos fez o favor
de mantê-los. TODOS.
Mas tem uma coisa muito chata. DW usa uma linguagem
extremamente de baixo nível, chula mesmo e isso é uma caraterística bem
interessante da série. É normal você ver saindo da boca de personagens palavras
como “puta”, “vadia” ou pegando um exemplo prático: “Eu adoro essa sua cara,
acho que vou gozar”, palavras da Minatsuki, etc e tal. Imaginei que talvez
pudesse acontecer de a Panini dar uma amaciada, deixar os diálogos menos agressivos,
amenizando o humor negro. Seguindo a lógica que o Brasil tem uma quantidade incrível
de puristas. Comentei no twitter, onde me deram exemplos de outras séries onde
isso é bem caraterístico, mas a verdade é que em DW isso é muito mais acentuado
e há coisas ali que realmente podem vir a ofender. Mas acho extremamente errado
que uma editora edite e descaracterize qualquer fato da história original. O
exemplo abaixo foi só o lado mais escrachado, onde fiz questão de conferir tudo
pra ver se haveria realmente diferença, se há mais coisas, não olhei. Espero
que nas próximas edições, a Panini reveja isso e pare de inventar o que não
existe e que nem cabe interpretação.
Outro ponto é a Panini ter deixado em inglês, os apelidos
que os Deadmans recebem em DW, uma tradução soaria muito bem e tornaria a
leitura ainda mais dinâmica. Por exemplo, a letra da canção de rimas que embala
os momentos de flashback ou interação entre Ganta e Shiro, faz todo um sentido
com o apelido que ele recebe em DW. Deixar o dele traduzido, enquanto os dos
outros estão em inglês, não seria o melhor. A uniformidade nesse caso é a saída.
E a proposito, não vi nenhum fã xiita reclamar ainda, mas a adaptação da música
e as rimas ficaram bacanas. No mais é isso, são probleminhas técnicos que
dependendo de você, pode realmente ser um PROBLEMA, ou simplesmente, nada
demais. Porém, minha posição é essa: NÃO INVENTE PANINI! Se acontecer nas
outras edições, confesso que será broxante, apesar de não ser motivo suficiente
para me fazer desistir de colecionar. A capa, a Panini resolveu seguir o
original e ficou simplesmente linda, a da TokyoPop é bem feinha, convenhamos.
Atrás, há um resuminho, com a imagem de corpo inteiro de Ganta e Shiro.
Conclusão
Em todo caso, Deadman Wonderland é um mangá que recomendo
para o publico do blog e demais pessoas que procurem por um shounen que não
seja aquele padrão, de porradarias e mimimis. Não há grande profundidade no
roteiro, mas caso leia despretensiosamente, você irá se surpreender ou até
mesmo quem sabe se emocionar com alguns personagens. A arte é excelente e
impactante, tanto nos quadros individuais quanto na composição de planos e
sequências. A arte casa perfeitamente com a fluidez da leitura, o que faz com
que quem estiver lendo, passe por cada ilustração de forma bem dinâmica e
quando você assusta: “Óh, já estou no
final”. O mangá cresce em história e narrativa surpreendentemente a partir
do volume 05, ganhando contornos mais densos e os personagens acabam sendo
explorado de forma mais contundente pelo lado psicológico. Consequentemente,
com a crescente pressão partindo do volume 06, acho que não é exagero dizer que
ao chegar aos atuais capítulos do volume 11, você estará sem folego. Oh, my....
EU. VEJO. O FIM. CHEGANDO.
Veja bem, eu tinha muito mais a dizer, mas chega não é mesmo.
Se veio a conhecer o mangá, através do anime, te recomendo bastante que
aproveite para compra-lo, apesar de até o volume 5, o anime ter seguido a
história de perto, há vários detalhezinhos e outras coisinhas que não foram
retratados ou que por algum motivo, foram alteradas, mas que dá um charme todo
especial pra história. Sem falar na dinâmica, que foi principal ponto de
negação do anime, que ao contrário do que alguns xiitas dizem os problemas do
anime está longe de ser os cortes ou somente adaptação, que até certo ponto é
fiel. A diferença é que Jinsei Kataoka e Kazuma Kondou são muito mais
competentes que o diretor da versão animada. Bye bye.
Periodicidade: Bimestral
Autores: Jinsei Kataoka e Kazuma Kondou
Volumes: 11 (em andamento)
Formato: 13 x 18 cm
Papel Pisa Brite
Páginas: 224
Preço: R$ 10,90
Distribuição: Setorizada
Ainda em dúvidas? Então leia outros pontos de vista totalmente distintos e interessantes:
Periodicidade: Bimestral
Autores: Jinsei Kataoka e Kazuma Kondou
Volumes: 11 (em andamento)
Formato: 13 x 18 cm
Papel Pisa Brite
Páginas: 224
Preço: R$ 10,90
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- Deadman Wonderland vol. 1, o último lançamento da Panini (Vídeo Quest)
- DEADMAN WONDERLAND Vol. 1 – Sangue E Circo Para O Povo (Aninkenkai)
- O circo dos horrores de Deadman Wonderland! (ChuNan)
- Deadman Wonderland – Editora Panini (Gyabbo!)