sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Mermaid Saga: A lenda das Sereias por Rumiko Takahashi

Eu não sei quanto à maioria de vocês ai, mas mesmo eu não sendo “Old School”, curto pra caramba animes mais antigos – o problema maior é quanto a qualidade de vídeo, pois uma vez que se acostuma com o padrão HD acima dos 720p, é complicado assistir algo em 420p. Mas tirando esse infortúnio, acho bem legal e fora que, felizmente muitas séries antigas veem ganhando remasterizarão ou lançamento em Blu-Ray. E para quem curte animes de horror e sobrenatural, ultimamente não há muita opção (ou melhor, não há boas opções) para essa galerinha, a não ser ler mangás ou recorrer às "fitas" mofadas na prateleira animística. 


Recentemente assisti a série Mermaid Saga, que fazia tempos que estava em meu HD. Fui atraída por ela antes de tudo por ser da Rumiko Takahashi, e segundo por retratar um universo de fabulas. Mermaid Saga é uma série onírica e melancólica, assim como Vampire Princess Miyu e Jigoku Shoujo, que são o tipo de obra vinculada ao gênero de horror, mas que não são feitas com o intuito de chocar ou assustar – e por isso eu acredito que o “terror” como conhecemos aqui no Brasil, é bem mais restrito que o termo horror usado pelos americanos. São séries sobrenaturais, com um enfoque no lado “apreciar o lado humano e até onde ele pode ir por uma obsessão” – é bem assim que é. Particularmente eu gosto da temática, são sempre histórias trágicas e tristes, e às vezes bonitas. Assim é Mermaid Saga.

Por dentro de Mermaid Saga

Mermaid trás novamente à tona a velha discussão filosófica da moralidade humana, é aquele tipo de série que retrata o homem como seu próprio predador, explorando o lado perverso do ser humano. Para quem aprecia o tema eternidade X imortalidade, poderá contemplar Takahashi-sensei em toda sua gloria. Mermaid Saga (Ningyo Shirizu) é uma série de mangá, que somam ao todo três volumes, escrita e desenhada pela  mangaká Rumiko Takahashi.
A história se baseia na lenda das sereias, onde a pessoa que comer a carne de uma, a ele será concedida a vida eterna. Essa é a lenda que passa de geração em geração, mas o que poucas pessoas sabem, é que comer a carne de uma sereia nem sempre traz a juventude eterna a qual a pessoa sonha, sendo mais comum que uma terrível maldição caia sobre si – ou ela morre envenenada ou acaba se transformando uma criatura sem alma, com forma horripilante.
Mas Yuta é um dos poucos que foi agraciado com esse...”presente” da vida: a juventude eterna. Mas será mesmo um presente? Já faz 500 anos que Yuta está vivo e sem nenhum motivo em especial para continuar vivendo – durante toda uma vida ele foi obrigado a ver pessoas queridas morrerem enquanto continuava vivo e solitário. Durante cinco séculos ele tem procurado por uma sereia, para que esta pudesse lhe retirar a imortalidade, mas isso também é lenda, pois não há relatos de alguém que tenha conseguido reverter essa situação. Em uma de suas aventuras, ele acaba se encontrando com a garota Mana, que também foi obrigada a comer carne de sereia, recebendo o dom da vida eterna. Juntos, o fardo se torna menos pesado e eles viajam para vários locais a procura de uma sereia que possa lhes devolver o direito de viver e morrer naturalmente, mas o que eles encontram pelo caminho é o resultado de como a carne de sereia afeta a vida de cada pessoa.
Originalmente, o mangá de Mermaid Saga foi publicado na revista Shonen Sunday, no ano de 1984 e publicado esporadicamente durante 10 anos. Na época, Takahashi-sensei trabalhava em dois dos seus mangás mais populares, Urusei Yatsura e Maison Ikkoku. Mas ainda que Mermaid Saga não seja um de suas obras mais famosas, na época fez um relativo sucesso em vários países (mas o que essa mulher faz que não vire sucesso?). Apesar de ser uma obra que foge completamente do estilo usual de Takahashi, que é basicamente séries bem humoradas, com pitadas de romance e muito sobrenatural, essa não foi à primeira história de horror que ela viria a escrever, já tendo antes escrito diversos one-shotes. Mas é a sua primeira série do estilo a ser serializada em uma revista.
O mangá foi adaptado para anime duas vezes. Primeiro como uma série de OVA’s e anos depois, em 2003 como uma série de anime para a tv. O primeiro OVA, Mermaid's Forest foi adaptado do primeiro volume do mangá, sendo produzido pelo estúdio Pierrot – A história retrata a década de 80, com os imortais Yuta e Mana, que encontram pela frente uma misteriosa mulher de cabelos brancos, Towa, que quer o corpo de Mana para si própria. Já o segundo OVA, Mermaid's Scar, foi produzido pelo estúdio Madhouse em 1993 – Dessa vez a história se baseia no segundo volume do mangá. Yuta e Mana encontram se às avessas com o garoto Masato e sua cruel e misteriosa mãe, Misa.
Em 2003 o estúdio TMS produziu um anime de 13 episódios, englobando todo o mangá Mermaid Saga, mais as histórias de uma antologia lançada com diversos contos de Takahashi, Rumiko Takahashi Gekijo. A versão tv acompanha de perto e de forma mais fiel o mangá Mermaid Saga, porém atenuando bastante os aspectos violentos da história – percebemos isso no forma agridoce e clara que em que cada uma são retratadas, fora a censura quanto ao sangue. Inclusive, a exibição original foi de apenas 11 episódios para a tv, e os dois restantes sendo lançados diretamente no DVD, intitulados como “Mermaid's Scar”, sob a alegação que estava bastante violento para a exibição na tv e realmente se nota que o tom é bem mais pesado que o restante da série – apesar de que ainda se nota bastante de uma suavização de conteúdo.
Um ponto positivo do anime é o fato dele englobar tudo, incluindo os episódios adaptados na década de 90 em OVA, que contam com uma animação um pouco melhor do que a versão dos anos 2000. Com uma duração média de 50 minutos, o mundo criado por Takahashi é retratado de forma mais obscura e violenta, porém o character design de nada lembra se tratar de uma história criada por Takahashi e mesmo que tenha tido um orçamento maior, a animação é pouco flexível, com vários quadros estáticos e falta de carisma dos personagens, que está presente na seria animada pela TMS.

Comentários

Como comentei mais acima, esse é um daqueles animes de temática pessimista e melancólica. Como se espera em uma série desse tipo, as tramas são episódicas – às vezes em arcos de histórias. Não é bem o estilo “monstro do dia”, são diversos contos que se amarram juntamente com os personagens principais. Para quem acompanha Ranma ½, mas não teve oportunidade de conhecer a fundo outras obras de Takahashi, vai se surpreender pela forma de como a história é apresentada. Com o passar dos episódios, vamos ficando cada vez mais ligados em Yuta e Mana, que são muito carismáticos – ele inclusive, vem de uma leva de personagens masculinos que hoje em dia pouco se vê em um shounen fora do circulo “porradaria”, ele tem personalidade forte e ao mesmo tempo cativante. Bem típico dos anos 80/90. Por outro lado, as heroínas viviam um papel de sempre terem que ser resgatadas pelos mocinhos. É o caso da Mana, mas ela até que se vira muito bem sozinha, além de também ter um geniozinho do cão.
Mesmo com a atenuada versão para tv, Mermaid's Forest (Ningyo no Mori) ainda mantém toda a atmosfera sombria da obra original, evidenciando a faceta oculta do ser humano. Tem alguns contos que são de uma sensibilidade incrível, levando qualquer um que seja tão manteiga derretida como eu, às lágrimas. E novamente frisando, como todo anime que segue em tom fantasioso, de fabula e contos sobrenaturais, você não vê um fim realmente da saga, apenas o clímax de situações que envolvem os personagens, assim como é em Vampire Princess Miyu e Jigoku Shoujo. Nossos queridos personagens continuaram sua saga particular, mas sem que possamos vê-la. Recomendo a versão para tv, Mermaid’s Forest, que tem um trilha sonora sensacional, um character design que emula realmente bem a arte de Takahashi e uma animação que é bem fluida, apesar de simples. Os OVA’s são apenas “mais do mesmo” e particularmente, os achei meio chatinhos. E bom saber que Mermaid’s Forest foi a principal obra que inspirou Sakae Esuno, criador de Mirai Nikki.

P.s: Post dedicado ao @Junior, que insistiu muito para que eu assistisse e comentasse o anime. 

***

  Curta o Elfen Lied Brasil no Facebook e nos Siga no Twitter