segunda-feira, 10 de junho de 2013

Comentários: Suisei no Gargantia #10 – Ambição do Homem


E continuo sendo surpreendida!

Não nego. Gosto mais dessa fase de Gargantia do que da anterior. Mesmo em um episódio de ritmo mais lento como este, meu corpo sente toda a vibração atmosférica da densidade do texto. Contudo, não sincronia entre o que os personagens são e o que estão dizendo. A conflituosa quebra de paradigmas do Ledo é válida, mas sua indignação e revolta são falsas.  Psicologicamente instável, ele defronta Chamber; “Nós somos a mesma raça humana e estamos matando uns aos outros”, e é exatamente disso que se trata esta trama, como dito no post anterior, ‘O homem é o lobo do homem’. É disso que se trata Gargantia, mas antes vou abrir um parêntese aqui. Ao ouvir Ledo afirmar com tanta convicção seu repúdio a Aliança Galáctica e sua resistência em matar aqueles da mesma raça, minha mente não me deixa esquecer que ele estava pronto para matar qualquer um que fosse inimigo, não importando se animal ou humano. Vocês se lembram também, vai, foi há poucos episódios atrás, com uma escrita ruim, diga-se de passagem. Então, o que? De onde vem toda essa moral do Ledo? Não me digam que foi de sua passagem em Gargantia porque ainda que não tenha dado tempo para uma transformação tão eclipsante, tudo que eu vi foi um Ledo extremamente resistente com a nova perspectiva de mundo que se abria diante dele.

E há tantas outras coisas. Eu gostaria de simplesmente desligar o meu cérebro e curtir, mas o meu veio com defeito, pois, não tem este botão. WAIT-- Ledo fala coisas sobre lavagem cerebral da Aliança Galáctica e uau, o quão prodígio ele é? Talvez ele até seja um ser humano melhor do que eu, já que não entendo o motivo de tanto drama. Quer dizer, eu senti o baque pela morte da replica de Elaine, foi bem manipulado; ela tinha forma e expressões humanamente mais fofas ao contrário dos outros de sua espécie. Mas não é uma escrita desajeitada? Em paralelo, Shinsekai Yori nunca precisou mostrar para nós uma aparência humana em seus repteis para que pudéssemos sentir empatia por sua causa. Gargantia precisa utilizar este recurso porque só vemos uma perspectiva. Logo, a outra não existe. Não de forma pensante. Não importa o que o texto tente insinuar, lula-Hideauzes são apenas criaturas que merecem respeito da humanidade por serem o que são, não seres humanos. Não mais. A perspectiva que eu tenho é a mesma de gados sendo abatidos. Por um ponto de vista lógico, a revolta de Ledo deveria ser sobre os arquivos secretos, a farsa ideológica, uma indignação homem-estado ao invés de homem-moral social, não por ter matado meia dúzia de lulas que convenientemente ganharam forma humana por alguns segundos na tentativa de sustentar um conflito tão capenga.


O conflito interno de Ledo não se sustenta [uma tentativa de caracterização bi.so.nha]. O conflito entre humanidade e Hideauzes, não. O homem é o lobo do homem e Gargantia continua sendo uma série sobre choque de culturas. Não é bem escrita, mas é disso que se trata. Por que homens devorando homens se encaixa na definição de culturas? Por que sempre foi assim. Pessoas tem dificuldades em aceitar aquilo que é diferente do padrão estabelecido socialmente. É acima de tudo orgulhoso. Aceitar a coexistência com criaturas que abdicaram de sua humanidade é ultrajante. Há uma dificuldade em entrar em contato ao mesmo tempo em que a aceitação pode vir pelo medo. Enquanto este durar, a coexistência é possível (isso me lembra alguns casos de animais marítimos). Gargantia temia as lulas (deuses e entidades comumentemente são temidos mais por medo que por amor) enquanto elas representavam uma ameaça. Pinion não perdeu a primeira chance que teve em deixar seu orgulho emergir. Um orgulho ferido ou desejo de vingar o irmão? Eu diria que é o primeiro. Vingar o irmão como? É uma ideia vaga, é como querer vingar um ser querido contaminado pela dengue hemorrágica ou Leptospirose. A vingança que ele queria era a de recuperar o orgulho de seu irmão, do seu sangue: o espaço nas profundezas do oceano agora dominado por lulas carnívoras. Eu me retorço toda de tanto ódio pelo Pinio, é daqueles personagens que eu teria um profundo prazer em ver morrendo. Só que ele foi o melhor personagem do episódio, ao lado de Chamber.

Sua ambição sem limites que, ironicamente, o faz esquecer a sua humanidade [ao menos no sentido sentimental/romântico que a palavra possui, afinal, ser humano é ser multifacetado, tão pobre como belo] e mergulhar em busca do domínio soberano; não era este o desejo dos homens híbridos? Abrir mão do complexo conceito de humanidade para dominar a imensidão do espaço, não importando com quem tivesse que colidir. Eu penso que ambição e culturas são dois conceitos muito estreitos, separados por uma linha tênue. Os índios não perderam (e continua perdendo) seu espaço porque ambicionamos sempre mais “tesouros” e promover o avanço social? Avanço social ou avanço das próprias ambições? Talvez eu esteja indo um pouco, talvez lulas não mereçam toda essa consideração. O que acham?


Chamber, por outro lado, é uma máquina fria que executa apenas o programado. O símbolo do intelecto e da limitação humana. Novamente entramos na questão cultural: os Hideauzes não são aceitos por serem uma forma de vida extrema contrário ao padrão estabelecido pela Aliança Galáctica do que se entende de humanidade. Para eles, a origem de Hideauzes fosse outra, se não a humana, muito provavelmente não haveria essa guerra. Mas fere saber que aquelas criaturas se originaram do mesmo DNA e possuem um físico tão grotesco, tão contrário ao padrão humanista (no sentido renascentista de individuo que se coloca como centro do universo). Quando ouvi essa explicação de Chamber, fiquei pensando em como essa guerra é tão banal e alimentada por puro ranço.

Passei o episódio inteiro com os olhos arregalados esperando pelo pior, querendo o pior, até que me é dado um cliffhanger que eu não sei como lidar, a não ser colocar as duas mãos na cabeça e gritar: O QUEEEEEEEEEEEEEEEEEE? O QUE A FODA? HAHAH LOLOL! Novamente, o enredo se embaralha e não ouso traçar qualquer tipo de previsões a seguir. Tudo que sei é que se trata de 8 ou 80 e não consigo imaginar nada muito favorável para o cenário a seguir. Paradoxalmente, Gargantia é uma história cada vez mais perdida, mas sua perdição aparentemente é o que tem despertado meu interesse nessa reta final. Um navio afundando sempre vai ser uma cena mais instigante de se assistir, desde que seja algo grandioso, do que um pôster paradisíaco. Farei questão de preparar uma bacia de pipoca para assistir isto ficando cada vez mais butcher e mais dissonante.  Mal posso esperar. 

Avaliação: ★ ★ ★ ★ ★

Okaeri, Comandante Kugel! Não quero nem pensar no que virá a seguir

ALEATORIEDADES



-Dê um cliquinho na imagem que ela irá ficar grande. Esse aquele mangá, prequel de Gargantia, centrado em Bellows. Na imagem você vê que ela parece ter um caso com outra mulher, além de ter um ecchi mais descarado ao ponto de descaraterizar um pouco a personagem (não que ela seja mais do que um objeto na em Gargantia, mas enfim). A arte é um cocô, e o conteúdo não parece ser muito diferente. Puro lixo orgânico. Créditos: SeventhStyle.

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