Saudações!
Talvez eu nunca consiga escrever um artigo realmente digno sobre a grandiosidade da obra-prima de Akira Toryama. E o próprio conceito “obra-prima” é geralmente banalizado pelo seu uso, embora não neste caso. Para algum tipo de arte ser considerado isso, ela precisa sobreviver ao tempo e ainda assim causar o mesmo impacto sobre as novas gerações. Podemos pegar como exemplo o quadro da Mona Lisa, que sobreviveu ao longo dos séculos, quando tantos outros se perderam por aí. Ou seja, a Mona Lisa é uma obra-prima.
E Dragon Ball Z também.
Com seus personagens sendo imediatamente tratados como ícones, bastando observar os diversos itens com nomes dos personagens (bonés, camisetas, casas...). Goku e seus amigos nunca usaram as esferas para conseguir a imortalidade, mas sem dúvida alguma, são imortais para o mundo dos animes. Os guerreiros Z fazem tudo que as criações de outros autores gostariam de fazer: lutam, lançam poderes extremamente grandiosos, voam, é futurista e antigo ao mesmo tempo, tem torneios, tem magia, personagens se transformam para ficarem mais fortes, há espaço para romance, lendas, mundo dos mortos... Enfim, são tantos itens reunidos em uma só obra, que seria muito difícil não ter se tornado inesquecível e o mangá mais vendido de todos os tempos – ultrapassado há pouquíssimo tempo apenas por One Piece.
Entretanto, isso tudo não bastaria se não fossem pelos personagens maravilhosos compostos pelo mestre Akira: Kuririn, Gohan, Piccolo, Vegeta, Trunks, Goten, Bulma, Videl, Yamcha, Tenshinhan, Mestre Kame, Senhor Kaio, Mr. Satan, andróides, e tantos outros... Todos são diferentes entre si, mas todos, de alguma forma, conquistaram nosso carinho.
E, obviamente, ainda não inventaram um protagonista mais carismático e bondoso que Son Goku. E é interessante observar porque ele funciona tão maravilhosamente bem – diferente de coisas como o Seiya, de um outro anime. Os espectadores adoram uma pintada de sangue frio e seriedade, e ao tornar-se Super Saiyajin, é exatamente isso que desperta em Goku. Diferente de, por exemplo, Yoh Asakura, de Shaman King (meu segundo protagonista favorito), que apesar de ter um caráter admirável, é totalmente contrário às lutas. Ainda que a paixão de Goku por batalhas sempre estivesse presente no personagem, mas de uma forma inocente e que remete ao básico das Artes Marciais: o prazer e a vontade de simplesmente lutar com alguém em igualdade ou superior. Fazendo Goku extremamente puro (não é a toa que ele sobe na Nuvem Voadora), engraçado e bom-moço, ele não tem mania alguma que possa torná-lo irritante – sua mania é comer bastante, algo sempre presente nos animes. Mesmo sendo o personagem mais forte do anime, isso não é desculpa para não temermos por sua vida, afinal, ele é aquele que mais morreu em toda a série. E como se não bastasse tudo isso, está sempre tentando salvar a Terra e nunca matou seus inimigos a sangue frio.
Já pararam pra pensar que o Majin Boo foi o único que ele realmente eliminou com suas próprias mãos? Não é a toa que Akira guardou essa atitude para a última saga.
Dessa forma, me arrisquei a escrever sobre aquela que para a maioria – isso me inclui – é a melhor saga de todo o anime, por mais difícil que seja escolher só uma.
Dividirei o artigo em 3 partes (início, meio e final), para poder abranger de forma mais organizada está longa saga. O Início falará das partes antes da chegada de Goku a Namekusei, acompanhando Bulma, Kuririn e Gohan. O Meio será daí até o momento em que Goku sai da cápsula de recuperação na nave de Freeza. E o Final, claro, abrangendo a épica luta do Super Saiyajin contra o Imperador do Mal.
