Ao menos, eu não vou sentir.
Fiquei em dúvidas se valia escrever sobre este episódio ou
apenas parti para uma review da série, e acabei optando por traçar alguns
parcos comentários sobre o final.
Um ponto final totalmente esperado e galhofa, que peca
principalmente em transmitir qualquer sentido de tensão; e quando digo isto não
quero dizer que deveria ser nervoso e dramático. Em qualquer série de ação ou
que apresente embates físicos, a tensão atmosférica é um ponto vital da
execução, e o que vemos no vídeo é algo tão ingênuo que cria uma barreira
impossibilitando que o espetáculo seja apreciado da forma que deveria. É o
ponto mais alto e decisivo do enredo, que fora construído desde o primeiro
episódio para este momento que mostra incapaz de tirar o espectador da
passividade.
A descrição do episódio é bem “Sessão da Tarde”; clube de robótica se reúne com outros moradores
da pequena ilha e conseguem concertar em menos de 24 horas um robô velho capaz
de derrotar os vilões [e seu robô do
mal super potente] que querem
destruir o mundo – Essa sinopse que parece propagada da Max Steel é condizente
com o conteúdo oferecido, cheio de cenas de ação pouco inspiradas. E R;N se
resume à isto.
R;N me encantou quando pareceu disposto à amarrar todas “pontas”
deixadas pelas duas séries anteriores do ponto e virgula e transformar isso na síntese da franquia [com referências muito bacanas], porém todo este potencial é mal utilizado, com diversas
tramas que apenas receberam um tratamento superficial e abandonadas pelo
roteiro. Entre tantas, a mais evidente e que se faz sentir com mais força é a
trama de Frau, uma das melhores personagens da série que no final nem ao menos
teve direito à um momento de contemplação. É bem verdade que R;N, mesmo que
porcamente, não deixa nada em aberto, no entanto as tramas não se conectam da
forma que deveriam, fazendo deste episódio algo bem menor do que deveria. Um
episódio que representa muito mais o fim do arco de Aki do que o fim de uma
trama global. Ironicamente, mesmo sendo a personagem central desta trama, Aki
acabou sendo eclipsada exercendo a única função cabível pra ela; o fraco elo
emocional. Ao que parece, os roteiristas não estavam suficientemente
interessados na personagem, ao ponto de sua doença e habilidades de aceleração
ter passado batido.
Obviamente Kai derrotar com aquela sucata velha um robô com
tecnologia avançada como o de Misa era algo esperado, mas surpreende e assusta
a ingenuidade dessa operação e estratégias utilizadas. É incompreensível que o
sistema de rastreamento de misseis para evitar a ofensiva de Misa possa
distinguir entre objetos existentes no ciberespaço e aqueles da realidade.
Esses robôs em realidade avançada só poderem ser vistos pelas lentes dos
Pokecons, tornando impossível uma interação física com eles, levanta a questão
de como diabos aqueles misseis puderam explodir ao se chocarem com algo que
realmente não estava lá (!!). Eu
posso entender monopolos chovendo e sendo agrupados num deposito. Posso
entender a Nae e a equipe do barulho invadir o centro de operações inimiga e
derrubar à todos os homens treinados perigosos com golpes de kung fu, posso até
fazer vistas grossas pra essa história mal explicada da Misa e Kimijima, mas
isso conseguiu ser mais louco que dinossauros vivendo no centro da terra
naquela novela com participação de japoneses.
O Kimijima? Esse é como todas as subtramas da história: Só
serviu como escada para o robô do bem derrotar o do mal e salvar o mundo. Com
direito ao nosso amado Daru aparecendo como Deus Ex com um programa capaz de
apagar a existência de Kimijima (!).
No fim das contas, este episódio conseguiu ser mais
digerível que o anterior, mesmo com todas as discrepâncias pela falta de uma
precisão narrativa que transformou este anime num festival de humor pastelão
involuntário. Engraçado que eu realmente gosto muito do primeiro cour, ainda
que arrastado, a progressão era boa pela fato de serem tramas mundanas e cotidianas. O segundo cour veio e a cada episódio, a
apreensão crescia; porque o enredo não está evoluindo? O roteiro infelizmente
se sente demasiadamente perdido, com diversos elementos mal utilizados e falta
de coesão entre uma trama e outra, dando a entender que a pessoa responsável pela
história teve de ser substituída às pressas e essa outra pessoa não soube
utilizar os elementos deixados pelo anterior. Pior, provavelmente era algum ressentido que aproveitou
a oportunidade para defecar na história do rival, mas brincadeiras à parte, o sentimento que fica é de quem quem escreveu, não estava de fato levando o roteiro à sério.
Agora, eu deixo uma pergunta, qual anime foi pior: Chaos;Head ou Robotics;Notes? Eu gosto mais de Chaos;Head, este ao menos manteve
coerência, apesar do ritmo apressado.
>A expressão do Daru é a mesma que a minha com este episódio huehuehuehueheuehuehu!
>Engraçado como essa imagem sintetiza bem o que foi R;N.
Sem dúvidas, a personagem que fez valer essa viagem num trem desgovernado.
>É isso aí galera, acabou! The End of Gunvarrel! Espero que a próxima série do 5pb. eles não coloquem o Bob Esponja para escrever o roteiro.