sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Falando nas entrelinhas ou não

Olá vocês! Os gritos ensandecidos da Moeka, no episódio 19 de Steins Gate, ainda ecoam pela minha mente. Afinal, é difícil se manter indiferente diante uma cena tão perturbadora. Mas ali, o que vimos foi o estopim diante uma possível perda. Em Kami nomi zo Shiru Sekai (The World God Only Knows), vemos o dia a dia de Keima, que vive quase que totalmente alheio à realidade – ou pelo menos, essa é a sua vontade – por julgar o mundo real e as pessoas 3D, basicamente, como se fossem um jogo defeituoso. Até mesmo as heroínas de cada arco da história tentam se refugiar em sua concha particular. Em Astral Project, personagens experimentam uma incrível experiência extracorpórea, que é o ato de sair do próprio corpo enquanto estão adormecidos. Para alguns, nada mais que uma válvula de escape para a vida medíocre que levam. Falando em Astral Project, pode se dizer que esse é o mote principal da história, apesar dela se apresentar de outra maneira em qualquer sinopse rasa que você ler por ai.
Bem, mas aonde eu quero chegar exatamente? Em lugar algum, apenas trocar uma ideia com vocês. Vai de lugar algum a lugar nenhum, mas não deixa de ser uma linha de raciocínio.

O que é neurose, o que é ser neurótico? Hoje em dia, essa palavra é usada de forma inapropriada, ganhando um sentido ofensivo e pejorativo. Algumas pessoas tendem a entender neurose como se fosse um sinônimo para loucura. O que certamente está longe de ser verdade. A neurose nada mais é do que uma reação exagerada do sistema nervoso em relação a uma experiência vivida. É uma maneira de a pessoa ser, de reagir a vida e os tudo que ela lhe propõe. A pessoa se tornar neurótica é apenas uma reação ao elo “ação e reação”. Como é o caso de Moeka, que passou por situações anormais, se tornando um alvo fácil a ser manipulado. Isso acontece facilmente com pessoas com graves problemas de autoestima, se agarrando a qualquer centelha de esperança para um alivio imediato.
A maneira exagerada de reagir faz com que pessoas neuróticas adotem uma série de comportamentos, como evitar determinados lugares ou tomar certas atitudes para o alivio da ansiedade, como a Moeka e seu inseparável celular. Ela o checa a todo instante a procura de uma mensagem qualquer, daquela que é a única pessoa que parece lhe entender. E há plena consciência do problema, mas muitas vezes, o neurótico sente-se impotente para modifica-lo. Como Keima, na segunda temporada do anime, onde diz ter plena consciência de sua escolha (a de se isolar das pessoas). A neurose é uma doença, mas uma doença emocional, afetiva e que faz parte da personalidade da pessoa, com raízes bem mais profundas do que simplesmente bobagens. Não se trata de uma doença mental, portanto não compromete sua inteligência e nem senso de realidade.

Eles ficam mais ansiosos, mais angustiados, mais deprimidos, mais sugestionáveis, mais teatrais, mais impressionados, mais preocupados, com mais medo, enfim, eles têm as mesmas emoções que todas as pessoas aparentemente normais possuem, porém, exageradamente.O sintoma mais comum nesse caso, é a fobia. Medo esse que faz com que Moeka acredite em um desconhecido qualquer. Faz com que as heroínas de Kami nomi zo Shiru Sekai tentem fugir da realidade e com que os otakus com fobia social de Astral Project, se refugiem cada vez mais em suas fantasias. Apesar da neurose não ser uma doença mental, ela traz consigo diversos transtornos, que são um verdadeiro problema. Na ficção é sempre mais atraente ver seu personagem chegar ao estopim, no seu limite, tendo autores que tornam tênue a linha entre loucura e suas neuroses. Já outras preferem seguir uma linha crítica, como Astral Project, ou passar a mensagem nas entrelinhas, como Kami nomi zo Shiru Sekai. Poderia citar Evangelion e outros melhores exemplos, mas deixa. Só queria escrever aqui um rascunho sobre o tema. E toda essa "putaria", só é bonita na ficção mesmo, né!?