BLOOD-C é permeado pelo clima de mistério, tipicamente
CLAMP, reforça os clichês típicos não somente do gênero, mas também das
histórias assinada pelas velhocas (!!!). Em meio a uma história morna, os
pontos fortes da franquia “Blood” ficaram – além da enorme quantidade de sangue
em cena - por conta dos excelentes aspectos técnicos, com uma qualidade de
animação acima da média, excelente trilha sonora e ótimas lutas, como esperado
de um estúdio como o I.G. Production. E isso leva alguns a questionar, porque
raios foram chamar aquelas velhas safadas do CLAMP? Claro que o aspecto
comercial e artístico pesam bastante e “Blood” sendo a menina dos olhos do
estúdio Production I.G., nada mais natural que houvesse uma grande jogada de
marketing, onde até o título do nome da série é proposital, porque BLOOD-CLAMP
soa muito bem. Além é claro, o CLAMP não é bom apenas comercialmente, mas também criam ótimos conceitos e como dito pelo diretor do anime em uma entrevista, podemos ver dessa forma.
Como quase tudo lançado ou que o CLAMP se envolve de alguma
forma, esse projeto deu e ainda dá o que falar. De um lado os haters das
garotas do CLAMP, do outro, os fanboys da franquia “Blood”. E no meio desse
fogo cruzado, eu armo meu guarda sol e vou curtindo a paisagem, pois adoro
igualmente tanto a franquia/e o estúdio, quanto o CLAMP. Até mesmo os primeiros
três episódios que são bem sem sal (apesar de eu ter curtido pelas pistas deixadas e um climinha gostoso de não saber o que estava por vir), e tidos como chatíssimos pelo público e blogueiros de
plantão, não me tiraram do sério. Foi claramente um erro de perspectiva do diretor Tsutomu Mizushima,
que teve as melhores das intenções ao tentar passar para o vídeo, a trama
elaborada por Junichi Fujisaku (figurinha do Production I.G.) e Nanase Ohkawa
(do CLAMP).
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A concepção da ideia é correta: Voltando atrás, agente percebe vários detalhes que viriam a tona no desfecho final |
Ao meu ver, Blood-C tem uma progressiva melhora já a partir
do episódio quatro, mas ainda não era o suficiente, questionado em uma
entrevista para o site ANN, onde o entrevistador questiona o fato de que em
cinco episódios, não se sabia nada da história, algo que realmente é bastante
incomum. Ao qual Mizushima responde que: “Na primeira metade da série, eu me foquei na descrição das
situações do dia-a-dia. Esses mesmos detalhes do dia-dia lentamente revelam seu
verdadeiro significado enquanto a história progride na segunda metade. Quando
você vir os últimos episódios, você vai querer voltar e assistir de novo desde
o primeiro episódio”. Acredito que todos entendam quais foram a
intenções dele, mas dividir sistematicamente cada um dos cinco primeiros
episódios entre ação e um slice of life idealizado, não deu certo. É um
cotidiano chatinho demais. Exemplo melhor temos no alucinante
Ga-Rei-Zero, onde essa ideia que o Mizuhina queria trabalhar em Blood-C, tem um
desenvolvimento muito mais satisfatório, envolvente e angustiante. Poderia
citar também Madoka Mágica, que trilha esse caminho de desconstrução de
personagens ao avesso, exemplo esse que cai até melhor em Blood-C, já que em
ambas as tramas, houve uma tentativa de camuflar essa investida e pegar o
público de surpresa. Funcionou em Madoka Mágica, já em Blood-C...NÃO!
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Aqui, uma possível referência ao clássico Blood: The Last Vampire |
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Olhe as dicas deixadas lá atrás. Saya sádica, quem não curte? Tsss |
Tentar cativar o público com situações do dia a dia tão
superficiais (até Keion consegue ser mais envolvente nesse aspecto), sem ao
menos deixar uma narrativa contundente, é pedir pra ser criticado: “Ouvi dizer que você
intencionalmente direcionou o anime de forma a mostrá-lo incongruente, mas acho
que artificialidade excessiva vai acabar estragando o anime e o público vai
ficar entediado. O que você acha?”. Então questionado, Mizushina
dispara: “Se você
acha que Blood-C é chato, eu me sinto muito triste por isso. No entanto, vou
continuar acreditando na minha política de direção (...)”. Críticas
essas, feitas no blog pessoal do autor, o que mostra claramente a insatisfação
do publico japonês naquele momento com os rumos tomados na produção do anime.
Coincidência ou não, a lerda evolução iniciada no episódio quatro, chega ao
clímax nas sequências que sucederam o ótimo episódio seis do anime.
Realmente é algo pra se pensar, pois Blood-C deu uma guinada
fantástica, mas o nome da franquia já estava manchada perante seus consumidores.
E note que a execução de Blood-C melhora drasticamente do episódio seis ao
último da série de forma ininterrupta, mas a história é a mesma, não é fantástica, é apenas... BOA!
Mas é ai o que mora segredo no gênero onde Blood-C se sustenta com uma das
pernas, que é o horror. Grandes partes dessas histórias não são nada incríveis,
mas a forma como ela será recebida por quem assista, jaz na execução, na boa
narrativa e principalmente e especificamente se tratando de horror, o choque,
seja gráfico ou narrativo, é preciso existir –As histórias de horror tem uma
intensidade impar, seja narrativamente ou graficamente e esse é um dos motivos
de eu adorar tanto esse gênero. Assim como também o suspense, que precisa do
auxilio da trilha sonora e de bons ângulos. Talvez alguns fãs esperassem uma aproximação com o que foi feito em Blood+, porém segundo o diretor, Blood-C está bem mais próximo do produto original da franquia; Blood: The Last Vampire, e é bem fácil perceber isso mesmo na narrativa.
"Blood-C sem dúvida alguma herda e continua o que foi começado em Blood: The Last Vampire. Ao mesmo tempo, parece ser bastante diferente dos seus predecessores. E não poderia ser de outro jeito, já que esse era o propósito em fazer com que o CLAMP se juntasse ao projeto." - Mizushima
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Aqui, o anime dá uma guinada SENSACIONAL e impactante - Fora uma importante surpresinha para fãs do CLAMP. N a cena, mais uma importante pista que só nos seria revelado ao final |
Obviamente, boa parte do publico que voltou suas atenções
para Blood-C estritamente por conta do grupo CLAMP ou por ter parecido
atraente, não deverá ver o anime bom bons olhos, o que é perfeitamente
compreensível. Para quem está acostumado com esse nosso mundinho do horror,
Blood-C não apresenta nada demais, porém para outras pessoas, a grande
quantidade de violência gráfica, pode vir a incomodar. Afinal, o anime começa
agridoce e termina com uma atmosfera sombria e sanguinolenta. Sem dúvidas é uma
série que ou você ama, ou odeia profundamente. Eu estou no primeiro grupo. Como
uma série de horror, com enfoque quase que claustrofóbico no mistério do
enredo, há grande ênfase principalmente na atmosfera que na segunda e melhor
parte do anime, se torna marcante e alucinante. Palmas principalmente para o
CLAMP, que sabe construir como ninguém, um clima de suspense crescente,
embalado pela trilha sonora. E segundo, para o Production I.G, que caprichou no
aspecto visual e na impactante OST do anime, que é muito boa. Outro
ponto ai está no desenvolvimento lento da trama e dos personagens, algo comum
no gênero, mas que como já mencionado, não foi bem desenvolvido na primeira
parte do anime.
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Censura fode muito na versão tv, muito mesmo. O branco cobrindo toda a tela, são cenas corriqueiras |
Comentários gerais
Antes de tudo, vou fazer aqui o papel de advogada do diabo, isento
o CLAMP da responsabilidade do ritmo e representação dos primeiros cinco
episódios do anime. Tem um mar gente criticando as pobres velhinhas, mas a
responsabilidade ai vai toda para o digníssimo Tsutomu Mizushima, que falhou ao
tentar causar um efeito surpresa e impactante, mostrando uma primeira parte do
anime completamente em clima florido e angelical, fazendo uma mistura que o
@Qwerty do Subete Animes, não poderia ter definido melhor: “K-on! durante o dia
e Bleach a noite” – quem assistiu, entende bem o motivo. Segundo que todos já
sabem do desastre da primeira parte do anime e de sua surpreendente reviravolta
em sua segunda parte.
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Blood-C conseguiu equilibrar bem o fanservice, que é quase inexistente, apesar de parecer o contrário, com cenas como essa ou com o que já é característico do CLAMP, insinuações. |
Há quem aprovou e há aqueles que continuaram achando ruim,
mais por uma questão pessoal de gosto, do que propriamente pela qualidade do
enredo a partir dali. Euzinha aqui, vejo parte de Blood-C como algo muito
bacana, com altos mindfuks, reviravoltas, trollagens, SUUURTOS e muito suspense
intricado, permeando a misteriosa trama. Afinal, que porra é aquele lugar onde
Saya vive? Por que essas mudanças súbitas de personalidade da Saya? Eles
morreram? Estão no inferno? No limbo? Oh YESSSS! Estamos de volta aos velhos tempos de teorias de séries como "Caverna do Dragão". Altas teorias, altos surtos coletivos
e na insatisfação, ofensas coletivas no twiiter. Acompanhar Blood-C em tempo
real foi uma experiência incrivelmente recompensadora e você deveria
experimentar assistir determinados animes juntamente com a massa, é algo
completamente diferente de pegar todos os episódios e assistir tudo de uma vez.
Agora alguns tópicos importantes antes de eu encerrar o
post:
- Vale a pena assistir Blood-C?
É claro, Superando os primeiros episódios (que particularmente, não vejo nada de tão "ÓH QUE HORRÍVEL"), a narrativa se
torna altamente satisfatória, o desenvolvimento é feito a partir de abordagens
obvias, onde você é capaz de ver que tudo ali, é realmente aquilo que aparenta
ser, mas ao mesmo tempo, as perguntas são crescentes e cada vez que uma
resposta se confirma, enaltece ainda mais os “por quê’s” e a vontade de
assistir logo o desfecho daquela loucura toda é cada
vez mais crescente, assim como o suspense.
Como bem dito por Mizushima: Quanto ao meu objetivo na série de TV, eu queria criar uma história que alcança uma conclusão – mas que, ao mesmo tempo, faz uma conexão com o filme que será lançado no ano que vem. Ele conseguiu fechar muito bem a trama apresentada no anime, deixando alguns pontinhos de interrogação, mas vejo o anime como uma grande introdução, a verdadeira história que veremos no filme.
- Exageraram na violência?
Não vejo da forma que alguns colegas veem. A trama é
simples, por isso ela precisa muito do apoio da trilha sonora, das expressões
dos personagens (destaque aqui, pois nesse aspecto, o medo e desespero dos
personagens, precisam passar veracidade), do suspense narrativo e ambiente e
principalmente, precisa de representatividade gráfica ou então mudar o gênero do anime e assim representar uma ambientação mais palatável. Questionado sobre ter dado muita ênfase nesse aspecto,
Mizushina rebate dizendo que foi a impressão que ficou, devido a censura do
anime na televisão. Perguntaram sobre o sangue jorrando exponencialmente e ele responde
que: “Eu sei que
é exagerado demais, mas eu fiz as cenas de sangue de forma irreal para que o
público não se sentisse desagradável. O fato de ser uma série "Blood"
não tem relação”.
Bem, ai está. Não vou dar spoilers e nem surtar mais do que
já surtei no meu twitter, porém, lhes digo que o desfecho final de Blood-C é
enlouquecedor. Brutal, muito, MUITO VIOLENTO e apesar de parecer obvio, foi
SENSACIONAL. Deixo aqui meus parabéns pelo aspecto técnico e suporte do
Production I.G. ao anime. Mizuhina pode ter errado, mas conseguiu convencer nos
últimos minutos da prorrogação, ao se utilizar bem do bom roteiro oferecido
pelas garotas do CLAMP. E não bastasse o final insanamente surtante (frisando que foi o
melhor episódio final dos animes da temporada de Verão), deixaram um cliffhanger perfeito para o filme da série que
será lançado ano que vem (ver mais detalhes aqui), dando prosseguimento a saga de
Saya.
Destaque final: sangue, MUITO SANGUE jorrando e excelentes
lutas, muito bem coreografadas. É pra fazer neguinho ter orgasmos mentais de
tirar o folego. A censura deixando todo mundo louco e nos privando do gore supremo. Ah, vá! Queremos ver miolos e cabeças rolando, não apenas sangue jorrando. Por isso, TODOS ficam de olhos nos lançamentos da versão BD. Nos vemos na première do longa de Blood-C. Até mais seus
lindos, fiquem ai ótima OP do anime.