
Olá a todos, com o intuito de formar uma interação entre
blogueira e leitores, achei bacana comentar rapidamente todos os animes que eu
assisti na temporada, uma vez que nós sempre fazemos primeiras impressões, postsde apostas, mas nem sempre retornamos fazendo reviews completas. Mas como é
muita coisa que sai sempre e nem tudo, inspira muita vontade de tecer várias
linhas, uma meia dúzia de comentários gerais acaba servindo a esse propósito e
talvez seja interessante para vários leitores cativos. Nessa primeira parte,
comentarei somente 2 animes; Natsume
Yuujinchou Shi e Chihayafuru, aos quais acabei me excedendo um pouco – Por isso,
somente os dois presentes.

Natsume Yuujinchou Shi
Nota: 08/10
Episódios: 13
Estúdio: Brains Base
Sem dúvidas, Natsume Yuujinchou-Shi conseguiu ser o melhor
anime dessa temporada e não poderia ter terminado de uma forma melhor.
Maratonando Natsume Yuujinchou pude perceber o crescimento e amadurecimento
gradual de Takashi como personagem ao decorrer dessas quatro temporadas. Essa
imagem acima ilustra perfeitamente isso – E bate uma certa saudadezinha de quando tudo começou. Shi parece ser vista como a
temporada mais fraca e de fato, olhando de uma forma global ela acaba se
mostrando inferior às outras, não por causa da qualidade técnica e o roteiro
afiado, mas por causa do feeling mesmo.
Natsume Yuujinchou sempre foi muito calminho, episódico,
emocionalmente sensível e muito gostoso de assistir justamente por isso. Com
exceção de um episódio ou outro, a grande maioria se manteve assim. E Shi
destoa de todas as anteriores por passar a maior parte do tempo com foco no
lado humano. E os arcos de episódios duplos [coisa até então, rara] apareceram
com mais frequência e tivemos então algo inédito, que foi um arco triplo.
Acredito que as perseguições envolvendo Takashi e os exorcistas, são os
momentos que Natsume Yuujinchou perde um pouco do seu feeling, mas acho
incrível como a qualidade e o tato do diretor Takahiro Omori (que dirigiu todas as temporadas até aqui)
sempre se mantêm afiadas.
Particularmente, não acho que shipping combine com Natsume
Yuujinchou (afinal, ele é de tod@s),
mas vivendo perigosamente, a tensão [sexual, é claro] existente entre Takashi e
Matoba me tiram do sério de uma forma
prazerosa. É sempre bom ver o Matoba colocando o Takashi contra a parede e
em Shi, pude ver isso já logo nos primeiros 2 episódios. É lógico que eu subi
pelas paredes (mentira/verdade).

Como eu comentei, Shi se focou mais no lado dos personagens
humanos da série e tivemos um bom desenvolvimento de Natori que teve um bom screen time, juntamente com Tanuma. Assim
como os amigos de escola de Takashi fizeram mais aparições que o comum e faz um
completo sentido já que a série tem como mote central, o crescimento e a
aceitação. Ao longo de 3 temporadas, se trabalhou bastante isso (deixarei pra comentar mais a fundo em uma
virtual postagem sobre a série – Não é uma promessa) e há um certo
contraste entre o Takashi de Natsume Yuujinchou e o de Natsume Yuujinchou Shi e
a série evidência isso em caixa alta em diversas oportunidades.
Da OP que apresenta um Takashi pequeno em sua amarga
infância a um Takashi já adolescente e sorridente, no seio da família Fujiwara,
nos braços dos youkais que ele tanto abominava e se relacionando com as pessoas
ao redor. E essa sempre foi a grande dificuldade dele; se relacionar com as
demais pessoas e aceitar sua condição especial (no caso, seu dom de poder enxergar espíritos). Em Natsume
Yuujinchou-san, há um foco bem emocional com relação à infância de Takashi (aliás, a série fecha de uma forma bem
forte e intensa e nos leva a essa centralização de San: A infância dele, mas
aqui ao que tudo indica, ele enfim consegue aceitar esse fato e tira um peso
das costas. Temos ao que tudo indica uma resolução com relação a esse trauma de
infância), mas em Shi vemos isso sob um novo ângulo.
Temos o ponto de vista não apenas do pequeno Takashi com
relação às provocações que recebia das outras crianças, a sensação de abandono
e descrença, mas também o ponto de vista de outras pessoas que conviveram com
ele e como isso afetou suas vidas. É bem bacana ver o ponto de vista de Yuriko no
episódio 5, que relembra de sua curta convivência com o estranho Takashi ou no
arco final onde ele acaba relembrando a relação conflituosa entre ele e a
pequena Miyoko. Foi um arco final bem denso e que representa o fim de um ciclo.
Takashi não está mais sozinho e já consegue se relacionar pacificamente tanto
com humanos, quanto com youkais. Eu até me arrepio um pouco quando relembro
essa parte final do Shi, pois me tocou profundamente e pela primeira vez em
Natsume Yuujinchou me fez derramar um filete enorme de lágrimas salgadas que
morreram no canto de meus lábios.

Destaque para a parte onde o youkai faz a proposta de comer
todas aquelas más lembranças e ele se recusa firmemente (ai, fico toda arrepiada de lembrar!) dizendo que tudo aquilo faz
parte dele e o tornou o que ele é hoje. É basicamente o que eu penso sobre a
vida. Não há porque você querer apagar uma lembrança dolorosa, pois muitas
vezes são elas as responsáveis pela pessoa que você é hoje. É impressionante
olhar pra trás e ver o quanto o Takashi cresceu ao longo dessas temporadas, não
fisicamente, mas como pessoa. E falo isso com a visão de uma mãe/pai, que
quando assustam sua criança já virou um adulto. Foi muito terna e extremamente
sensível o Takashi com o Nyanko-sensei na casa que foram de seus pais e todas
aquelas lembranças adocicadas com sabor de saudades. Foi uma cena muito bem
equilibrada e sem exageros tendo como clímax, a volta dele pra casa dos Fujiwara
e sendo recebido de braços abertos.
Para mim, só por arcos como esse [e outros como o do
episódio 4], o Shi já merece uma nota excelente. E realmente, mantém um padrão
de qualidade, tanto de roteiro, como a simplista e competente animação, que
ficou bem acima da média de todos os animes da temporada. Para mim, essa
poderia ser tranquilamente a última temporada, mas eu quero mais. Até mesmo
porque, há questões em aberto, como o conflito com o clã Matoba, a própria
Nanase que aparenta ter muito o que mostrar ainda. Sem falar que eu quero saber
mais sobre a Reiko e a relação que manteve com Nyanko-sensei (há algo meio que escondido nas mangas e
aparentemente sendo guardado para um futuro desfecho) e seu acentuado
interesse no livro dos amigos. Se você ainda não conhece essa preciosidade,
sempre é tempo de correr atrás do prejuízo.
Recomendações de leitura sobre o anime citado: Review de Natsume Yuujinchou Shi no Across The Starlight

Chihayafuru
Episódios: 25
Estúdio: Madhouse
Chihayafuru é aquele anime onde pessoas dão um tapa na carta
e elas saem voando na velocidade da luz. Quando a coisa fica realmente tensa,
os personagens dão verdadeiras piruetas no ar (!) para conseguirem tocar nas cartas antes dos adversários. E
engraçado que, foi essa agressividade que rendeu a Chihaya no twitter, o apelido
de Chihaya Pereirão (claro, só poderia
ter saído da mente louca do @LeoKusanagi).
E acaba combinando, pois a garota tem como habilidade, o Karuta ofensivo.
De qualquer forma, muitos acham o Karuta muito chato, e um
dos maiores méritos do anime sem dúvidas é conseguir ultrapassar essa barreira
através do desenvolvimento dos personagens, que acabou contribuindo para que
todos pudessem apreciar a série de uma forma global. Então, não é de se
estranhar que ao final do anime, ao invés de todos estarem se perguntando se a
Chihaya iria ou não se tornar uma rainha, a indagação era com quem Chihaya iria terminar: Taichi ou Arata? E apesar da série
pouco investir no romance, isso é resultado da forma como os personagens são
colocados e desenvolvidos dentro da história. Méritos para o diretor Morio
Asaka (Nana/Cardcaptor Sakura) que
conseguiu passar o feeling certo para o expectador, os transformando em
torcedores e com isso, Chihayafuru se tornou uma verdadeira onda.

E com o passar dos
episódios, passamos a admirar aqueles personagens com seu crescimento gradual e
ponderado. A Chihaya tem uma subtrama interessante, apesar de pouco explorada,
onde mesmo sendo tão linda como sua irmã, aspirante a idol, acaba sendo
condenada a viver na sombra dela, não apenas no âmbito familiar, aonde toda
atenção vai pra filha mais velha, como na escola onde é conhecida como “a
beleza em vão” – Pois apesar de linda, ela está longe de ser a típica Yamato Nadeshiko e é bem como eu disse,
ela é Chihaya Pereirão e não é bem o
tipo de garota delicada. Garotas que fogem do padrão (aliás, qualquer individuo que se destaque no Japão, acaba atraindo uma
atenção negativa no ambiente escolar) japonês e não se comportam
polidamente, certamente não são as mais cotadas para se casarem, por lá.
Muitos aspectos do anime acabam se perdendo na tradução e
compreensão do público ocidental. Não apenas o Karuta é um esporte muito
tradicional, mas a própria série tem suas raízes fincadas numa cultura muito conservadora.
Apesar de não entender, acho magnifico os poemas e a correlação que tem com as
cartas. Então, mesmo Chihayafuru possui algumas subcamadas interessantes que
são incompreensíveis para nós, mas que acaba sendo perceptível a existência
deste a partir da Kanade Oe, profunda admiradora dos poemas.

E Chihayafuru é excelente em sua inter-relação entre poesia
e a narrativa tradicional da série. O casamento entre imagem e áudio é
fantástico e não apenas isso, também mostrou que karuta é um espaço social, em
que uma pessoa integra dentro de si as capacidades e as qualidades que aprender
com os outros. Um complementa o outro, como podemos ver diversas vezes a forma
como Chihaya se conecta aos outros adversários, aprendendo com cada um deles,
seja com resultados satisfatórios ou derrotas. Nesse ponto, Chihayafuru dá mais
uma mostra de ser uma série bem arraigada em velhos costumes japoneses e sua
forma de socializar. Neste contexto, a
distinção entre amigos, professores e até mesmo adversários tornam-se menos importante.
Desde que se aprenda, perder pode ser tão valioso e gratificante como ganhar. O
que dizer daquele incrível disputa entre Chihaya e Yumin no episódio 21? A
conexão que ela formou com Ririka? Toda troca e empatia que rolou entre elas, foram
bem mais importantes do que o resultado em si. Chihaya aprende com os outros
jogadores, mas também se vê neles e os incentiva a seguir adiante. A forma
motivada com que jogou com Sakura e mesmo diante de sua perda, esboçar aquele
sorriso e vontade de superação; Chihayafuru tem muito aquilo da vontade
japonesa de ensinar e aprender com o próximo.
Da mesma forma, ninguém consegue por conta própria: cada
pessoa representa as contribuições de muitos outros. Até mesmo um gênio como a
Shinobu, representa de certa forma a individualidade, que é um aspecto bem
comum, mas que no último episódio, através de Arata cedendo e socializando ao
jogar Karuta com alguém com menos habilidade que ele, reafirma o valor do
conjunto. E bem, sei que é estou dizendo obviedades, mas vemos como cada membro
da equipe da Chihaya possui uma habilidade especifica. Chihaya tem uma
velocidade incrível e habilidades auditivas, Komano tem incríveis habilidades
analíticas, Kana compreende os poemas de dentro para fora, Taichi tem as
habilidades de memorização, Nishida carrega o "saber" em como o
próprio jogo é jogado com base em seus anos de experiência e sabe analisar bem
qualquer situação de jogo. Porém, individualmente todas essas habilidades não
são suficientes para ser o melhor, porque você vai se deparar com os jogadores
com as suas próprias habilidades individuais. Mas nada impende que, apesar de
que cada um terá que lutar sua própria luta, de poderem se ajudar mutualmente e é o
que acontece de forma muito satisfatória na reta final.

Aquele diálogo do Harada, depois que ele pede para Chihaya
não usar sua habilidade de jogar karuta ofensivo, mas sim prestar atenção no
jogo e exercitar a audição é sensacional. Como ele mesmo disse, ele quer dar a
Chihaya, várias armas que ela possa usar a seu favor. Claro que eu acho que um
jogador deve usar suas habilidades individuais, mas seu crescimento como
jogador de Karuta não deve parar por aí, eles precisam aprender e desenvolver
novas habilidades ao longo do caminho e ficar não dependente apenas de uma
habilidade. Que é exatamente o que diz Nishida a Taichi, onde uma única boa
habilidade, não será suficiente para fazê-lo vencer. Muitos odiaram o método da
Yumin, mas interromper o fluxo do jogo é uma estratégia excelente, pois é um
jogo que exige foco e concentração e pra superar isso, força e equilíbrio mental
é um grande requisito – Essa sendo, um dos grandes pontos fracos de Chihaya e
que a levou perder diversas vezes, incluindo a batalha decisiva contra Yumin.
Mais importante; com subcamadas que podem ser interpretadas ou não, com
contextos que muitas vezes não fazem sentido para nós ou não, Chihayafuru é um excelente
entretenimento.

E há um forte boato, que apesar das péssimas vendas dos
discos da série e falta de patrocínio que acabou jogando-a para as madrugadas
da tv e impossibilitando de alcançar seu publico alvo, uma segunda temporada já
estaria encaminhado para o primeiro semestre do ano que vem. E olha, eu fiquei
realmente espantada de como a série se conecta com exatidão do primeiro ao
último episódio e me neguei a acreditar que algo tão minuciosamente planejado,
tão bem feitinho, pudesse terminar dessa forma, com várias pontas soltas. E faz
muito mais sentido, apesar da contradição dos números, pensar que uma sequência
já está planejada. Bem, espero que venha mesmo, uma sequência.
Recomendações de leitura sobre o anime citado: Crítica feita
aqui no blog, pelo Crítico Nippon. E Review, feita no blog Radix