Gosto muito da sentença de Machado de Assis, ao afirmar que “Cada obra pertence ao seu tempo”, ao pedir a compreensão de um romance como Helena (1876). Se neste tempo em que a obra ganhou revisão ortográfica por seu autor, a obra era vista de soslaio pela grande crítica literária, o motivo não era outro senão seu caráter folhetinesco – romances melodramáticos e rocambolescos repletos de reviravoltas e intrigas voltados especialmente para as mulheres da época, mas também lidos por homens (mesmo porque, assim como Helena, muitos destes foram serializados em jornais da época, motivo pelo qual a estrutura se valer de diversos artifícios para prender a leitura), apesar de folhetins sempre ser estigmatizado pelo patriarcado. Razão pela qual ele declara que cada obra pertence ao seu tempo, aludindo que Helena fora fruto de um outro Machado de Assis, ainda jovem e ingênuo, como se define. Muito embora, considerasse Helena com grande carinho.






